quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

"A lembrança daquilo que te faz querer estar ali"

A frase acima foi escrita por Cássio Pires em suas 25 dicas de coisas para levar no domingo, dia da prova da Cásper Líbero. Era o 25º item.

Essas poucas palavras me levaram a uma crise de choro enorme e repentina. Nervosismo para a prova? Descarto. Consegui fazer FMU, Fuvest e PUC sem um grama de estresse (no máximo alguns litros de remédio de nariz e folhas de lenço de papel). Passei na primeira em terceiro lugar e, mesmo assim, nenhuma lágrima foi derramada. O que fez com que eu quase me afogasse em lágrimas foi exatamente a lembrança daquilo que me fez chegar até aqui.

Decidi o que realmente queria fazer durante o Dakar 2003, primeiro em que meu pai correu. Acordava cedo, dormia tarde só esperando alguma coisa passar na TV (em uma rápida busca, encontrei essa história em dois lugares: na minha sempre querida Universo Rally, 14ª edição, e aqui ). Escolhi o jornalismo quase que do mesmo jeito que muitos decidem por essa profissão: a vontade de mudar o mundo. No meu caso, queria mudar o jeito que a mídia nacional tratava o rally.

No final de fevereiro, em Campos (RJ), chegou em minhas mãos a primeira edição da Universo Rally. Aquela revista que recebi naquela cidade, longe pra caramba de tudo e sem lugar descente pra comer (passei o final de semana vivendo de Bobs), me encantou. Era a primeira que tinha como público alvo a galera do rally e de cara recebeu o status de minha publicação de cabeceira (sim, caros! Fui uma menina-moleca, que tinha como briquedos favoritos a bola e os carrinhos e, como revista preferida, uma que falava de carros. Capricho, Atrevida e Querida não tiveram sucesso comigo).

A minha vontade de mergulhar de cabeça no jornalismo veio quando enviei um texto meu para o Detlef, que hoje está na Mitsubishi. Pouco depois, Det me mandou um e-mail me passando o endereço do Ricardo Lopes, que naquela época estava na Universo. Na mensagem também constava uma conversa entre os dois, na qual Ric cogitava em publicar meu texto. Era 2003, e eu tinha apenas 13 anos.

Passei a manter contato (leia-se atazanar demais) com Denis de Almeida (editor da UR) e com Ricardo. Já me passava pela cabeça que algum dia eu estaria trabalhando naquela revista dos sonhos.

A Universo Rally durou quatro anos. A última edição que tenho é a de número vinte e quatro, e a única que não se encontra em minha coleção é a décima sétima. Da décima quarta tenho umas seis, pois foi a primeira vez que tive um texto publicado em uma revista. Nutro até hoje um carinho grande por Denis e Ricardo, principalmente por terem levado essa revista até onde podiam.

O ponto em que quero chegar é que esse foi o princípio de tudo. Foi graças àquele primeiro Dakar e à possibilidade de ver um texto meu impresso nas páginas da Universo Rally (fato que só se tornou realidade um ano depois) que eu cheguei até aqui. Se hoje eu olho com brilho nos olhos o trabalho dos jornalistas, se tenho estes como ídolos e exemplos, se posso afirmar com tanta certeza que é essa vida que quero pra mim, o começo certamente está entre aquele Dakar e aquela revista.

Eu talvez ainda não tenha alguns dos outros 24 itens da lista. Mas o 25º, você pode apostar: esse eu já tenho há muito tempo.

5 comentários:

DENIS disse...

Amandinha, você poderia não ter todos os outros 24 itens da lista (o que acho impossível, apesar de não saber quais são...). Mas você tem o principal: sabe o que quer e tem talendo. O resto é conseqüência. Sucesso na nova carreira que irá começar e, se puder ajudá-la, você sabe que farei com o maior prazer. Bjs, Denis.

Rodrigo disse...

Cada golinho de você que eu vou conhecendo, faz com que a minha admiração cresça...

Ricardo disse...

Puxa, Amandinha, olha só quanta coisa gostosa você me fez lembrar, ...
Lendo esse seu relato me passa pela cabeça o que me fez ser jornalista. Quando era pequeno, deiveria ter uns 10 ou 11 anos de idade, li em uma Quatro Rodas a pergunta de um leitor: "Como faço para ser um piloto de teste?" A resposta da redação: "Para ser piloto de uma montadora é preciso formação em engenharia e para ser piloto de Quatro Rodas precisa ter a formação em jornalismo". Não precisa comentar que tentei primeiro engenharia, mas por um desvio da vida acabei me formando jornalista e no último ano de faculdade ingressei na revista dos sonhos para mim naquela época, a Quatro Rodas.
Sucesso, sabe que faço parte da sua torcida, ...
Beijos,

Anônimo disse...

necessario verificar:)

Tulio disse...

Posso me comover com sua história? :)

A propósito, ainda tem algum interesse em escrever [esporadicamente] sobre ralis e (tentar) mudar a mídia nacional nesse aspecto?