A Adele fica de fossa. Ou entra numa fossa, algo assim. Enfim. O que importa é que Adele tá triste por causa de homem.
Eu também fico triste por causa de homem. Toda mulher fica tristes por causa de homem. Toda mulher odeia levar um pé na bunda. Ou não precisa ser um pé na bunda. Mas toda mulher chora, se descabela, come feito uma condenada - menos eu, que entro em dieta bem nessa época e acabo ficando mais chata e mal-humorada.
Adele também deve se descabelar, chorar, todas essas coisas. E aí ela resolve pegar aquela voz do caralho e fazer um bando de música de fossa, ficar rica, linda e maravilhosa, show pelo mundo inteiro, ganhar todos os Grammy do mundo.
E nós? Nós choramos e nos descabelamos enquanto ouvimos Adele.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Adele e o resto do mundo
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Amanda Roldan
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Para viver com poesia
"Essas duas tresloucadas, a Saudade e a Esperança, vivem ambas na casa do Presente, quando deviam estar, é lógico, uma na casa do Passado e a outra na casa do Futuro. Quanto ao presente - ah! - esse nunca está em casa."
(um pouco de Mario Quintana para deixar a saudade mais poética)
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Amanda Roldan
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Os espasmos nos olhos
Oi, Ale,
é estranho escrever uma carta para você, uma pessoa que eu nem sequer conheci de verdade - quer dizer, uma verdade relativa, porque tudo é relativo. Veja bem, eu te conheci virtualmente, a gente trocou algumas palavras, acompanhava um ao outro nessa incrível rede que é o twitter. Incrível porque, assim como eu me apeguei à sua luta, vi muitas pessoas conhecendo muitas outras, formando laços de verdade, coisa bem bonita.
Eu te escrevo porque precisava de um motivo para falar sobre o nada e o tudo, e decidi que a gente sempre quer contas as coisas para as pessoas queridas. E você é querido, muito mais do que você imagina, acho.
Eu queria te contar sobre saudade, separações, amizades, essa coisa toda. Ontem fez dois meses da sua morte, e foi ela que me fez tomar algumas decisões na minha vida - porque a gente não sabe quanto tempo o tempo tem. Eu tenho esse minuto agora, esse segundo, mas não tenho o segundo seguinte. E é por isso que a gente precisa viver de verdade, para poder aproveitar cada segundo que a gente tem. A gente tem muita mania de deixar o tempo passar, achar que ele vai curar tudo. Mas às vezes ele não cura do jeito que a gente quer, e o que fica? Fica a dor por a gente ter deixado tudo nas mãos dele.
"A única coisa inevitável é a morte". Sei lá se ouvi isso em algum lugar ou se minha cabeça que criou essa frase, mas tenho pensado muito nela. A gente fica com aquela coisa depois da morte. Putz, por que eu não fiz isso com fulano? Por que eu não falei aquilo com beltrano? Por que eu não te conheci, Ale? Mas enquanto a gente ainda tem tempo, a gente pode. Pode tudo. Mas, principalmente, a gente pode não se afastar dos outros.
Eu não entendo muito essa necessidade que a gente tem de vez em quando de se afastar. O que resolve? É uma espécie de morte voluntária. Bam, você matou a pessoa na sua vida. Só que não. A pessoa continua viva, e aí eu tento entender por que a gente quer tanto que ela não esteja ao nosso lado.
Nesses dois meses eu tentei entender isso. E ainda tô tentando, mas não consigo. Mas também consigo.
Dói, sabe? Perder pessoas que continuam vivas acho que dói mais do que as que estão mortas. Quando elas tão mortas, não tem mais jeito. Mas vivas? Fica aquele gosto de fracasso, uma dor diferente, de saber e não saber. Às vezes a gente lida bem com isso, mas eu não sei jogar esse jogo, e sei menos ainda com o passar dos anos.
Parece que tudo era mais fugaz quando eu era criança. Eu conhecia o amiguinho na praia, na praça, na chuva, na fazenda e ele já virava meu melhor amigo do dia. Aí a gente ia embora e acabou.
Mas agora a despedida dos amigos dói mais. Às vezes se mescla com a infância já findada, como o amigo que foi morar na Itália e volta sei lá quando. Doeu ele ir embora. Mas teve também aquela que sumiu sem dizer nada e dava as caras de vez em quando, e agora a gente nem sabe mais quando vai se ver. Sempre fica a pergunta: por que esse sumiço? Por que esse abandono repentino? A gente devia se formar juntas e sei lá mais o quê. Mas não foi isso que aconteceu.
E teve o outro que rolou e não rolou, e aí ficou aquele clima estranho e a gente decidiu deixar o tempo passar. Mas como se faz isso? Esse tempo tem prazo de validade? Ou um dia a gente vai se encontrar nas ruas virtuais e ficar de bate-papo, e, bam, voltou a ter amizade?
Mas o que acontece nesse tempo? O que aconteceu no tempo em que eu e o amigo que foi pra Itália não nos falamos por absolutamente nenhum motivo? E o que vai acontecer nesse tempo em que eu e o outro amigo não trocarmos figurinhas?
É tudo muito indefinido, Ale. Você tava se recuperando, a gente botava fé. Eu tava até pensando em ir te visitar quando tudo se acalmasse, tinha um presente especial e tal. Mas o tempo não deixou. E o tempo não vai deixar uma série de coisas, porque ele acaba. É natural.
E se o tempo não tivesse deixado? E se o tempo não deixar? É isso que passa pela minha cabeça, Ale. É ter medo de ficar com um monte de se. E a gente fica, porque a vida é feita de escolhas e, invariavelmente, a gente vai se perguntar se o outro caminho era mais bacana. Mas tem se que dói mais, tem se que a gente sabe que devia ter sido diferente, devia ter dito mais flores, mais pássaros cantando e blá.
É isso que eu queria escrever pra você, Ale. Esse monte de se que dói na alma e que, na verdade, nunca chegou a tempo. Porque, como se sabe, o se sempre chega atrasado.
Com amor,
Amanda
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Amanda Roldan
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
Uma revolta
Estou revoltada. Revoltadíssima, para falar a verdade.
É uma revolta tão grande quanto aquela que tenho do mundo em geral.
Estou revoltada com a Academia. Sim, aquela do Oscar.
Não que o Oscar seja o líder supremo de todas as coisas - esse título pertence para sempre ao Loeb. A Academia, na verdade, faz escolhas bem questionáveis, como a vez em que eles deram um Oscar para A VILA. GENTE! Filme horrível e, ok, a fotografia era bonita, MAS SÓ! E GANHOU UM OSCAR!
Mas a gente não questiona quando Meryl Streep é indicada, ou o Geoge Clooney, ou o John Williams. Enfim...
Mas aí eles soltam os indicados a Melhor Animação e TINTIN NÃO ESTÁ LÁ! Revoltei.
E revoltei ainda mais depois que vi o bendito. Vem cá, Academia. Vamos conversar ali no cantinho. Quero que você me responda com toda sinceridade: como Tintin não foi indicado? Você percebe onde está o erro, né? Não vou nem falar que é um filme de Steven Spielberg, com uma pitada de Peter Jackson e John Williams.
Como dizem por aí, #Fail. #Epicfail.
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Amanda Roldan
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A equação inversa das adaptações
Eu não tenho nada contra adaptações de livros para o cinema.
ABRE PARÊNTESIS
Ok, talvez isso seja só meia verdade. Ou 1/3 de verdade. Porque eu sou chata pra caramba quando se trata de roteiro adaptado, e minha chatice é dividida em duas categorias:
#1 - livros que eu li, o que significa que vou ficar o tempo todo comentando sobre como tal fato não era assim no livro e blá, ou ficarei roxa ao tentar guardar tais observações pra mim. O que importa é que nunca ficarei exatamente feliz com isso, com exceção de O Senhor dos Anéis, cujo filme conseguiu diminuir a chatice de Frodo em 3434%;
#2 - livros que eu não li, e aí a chatice acontece porque não são dois ou três filmes com roteiro adaptado. São dezenas deles que surgem a cada temporada, uma coisa incrível. Parece que já nem existe mais roteiro original, é tudo baseado em livro. Chega um momento em que isso irrita. Tirando, claro, os livros que já são escritos como um roteiro de cinema, com o propósito de ir parar nas telas o mais rápido possível.
FECHA PARÊNTESIS
Então eu tenho muita coisa contra adaptações de livro, mas ignoro e vou lá assistir aos filmes.
Aí você descobre que um filme como A Ilha do Medo, por exemplo, foi baseado em um livro. E já que você achou o filme bacana, com direção boa e atores legais, foi lá ver qual era a do livro. A decepção: o livro é ruim, tão ruim que você não conseguiu ler mais que algumas ṕáginas e desistiu de comprar.
Foi a descoberta de uma nova modalidade. Livros que você não sabia da existência e que foram alçados a possíveis bestsellers porque inspiraram um filme dirigido por, sei lá, Spielberg. Só que os livros, a despeito da qualidade dos filmes, não são lá muito bons.
A situação se inverte: se antes a gente lia os livros e ficava na dúvida se ia gostar do filme (#HarryPotter), agora nós achamos o filme bacana e ficamos com medo de ler o livro.
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Amanda Roldan
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18:06
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Eu e Reserva: um caso de amor
Assim como na música de Ângela Rô Rô, meu grande amor apareceu assim, bem de repente. Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente.
Foi em uma tarde de um dia de semana. Assistimos a Medianeras, que o povo fala que é filme de gente cult, porque todo filme fora do circuito de Hollywood é cult, mas eu e meu grande amor não nos importamos e gostamos de ver filmes cult, especialmente os franceses, já o meu grande amor foi adotado pelo povo que fala "quero dar pra você" de um jeito bonito.
Assim, sem hora marcada nem nada, meu grande amor me conquistou - e como se ainda duvidasse do amor que surgia, meu grande amor me ganhou definitivamente pelo estômago, ali na Pain de France.
Eu ainda me recuperava do grande choque que fora a morte de um outro grande amor, que - me desculpe, Ângela - durou muito menos que o tempo que mereceu. Foi embora assim, nem tão de repente, mas dolorido. Era um amor meio alternativo, e às vezes ficávamos noites adentro acordados. Mas acabou.
E veio ele e seus filmes franceses, seus quiches. De dia de semana ele assume um humor que me lembra excursão de velhinhas pela Europa; aos sábados e domingos ele quer festa, agitação, uma coisa mais moderninha.
Um grande amor que chegou assim, como as canções, como as paixões, as palavras.
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Amanda Roldan
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01:50
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sobre as nossas cidades
Quando fui pra Nova Iorque, no ano passado (enquanto o Pitacos estava em coma), sofri de um grande mal - que, no final, encarei como um grande bem: estudei o lugar minuciosamente e fui pra lá conhecendo praticamente cada esquina de Manhattan. Sabia tudo o que havia pra fazer ou deixar de fazer lá, já tinha ficado razoavelmente familiarizada com a linha de metrô e saí do Brasil já com uma ideia do que queria tirar de Nova Iorque.
Porque - deixe-me dar uma de filósofa nesse momento - cada cidade é diferente de acordo com a visão das pessoas. Se, por exemplo, eu quiser apresentar São Paulo para uma pessoa, estarei mostrando apenas a cidade que eu enxergo, o que pode agradar ou não o outro. É como tudo na vida: a gente tem o nosso ponto de vista das coisas. A São Paulo que eu amo não é, necessariamente, a que a minha mãe ama - e não, não é, mesmo.
E isso funciona com todos os lugares. Do mundo. A minha Rio de Janeiro é diferente da Rio de Janeiro da minha família, até dos meus amigos de lá. Assim como a minha Curitiba. E a minha Goiânia - que terá eternamente cheiro de poeira e barulho de carros de rali.
É por isso que eu evito ficar pegando sugestões antes de viajar. Do que adianta a pessoa querer que você compre um passe de dois dias pra visitar as principais atrações de Nova Iorque quando tudo o que você quer é andar pela cidade, observando pessoas e procurando coisas encantadoras para admirar em vez de ficar correndo e um lado pro outro pra conseguir ir no Met, no Financial District E no Empire State no mesmo dia?
Cada um sabe a cidade que quer conhecer. No meu caso, eu queria ser a pessoa que fica passeando sem rumo, meio perdida, ouvindo, vendo, sentindo cheiros - se eu tivesse um olfato apurado, coisa que não tenho. Andei pelo Central Park, vi o estudante de Julliard tocando violino, passei pelo prédio de Friends e me joguei no Village, entrei em todas as Sephora de Manhattan, peguei a balsa para Staten Island pra ver a Estátua da Liberdade, fui pra Columbia, tirei foto em frente à Tiffanys para homenagear Audrey Hepburn, fui na ONU e na parada de St. Patrick. Acima de tudo, conheci a Nova Iorque que EU queria conhecer, não a que OS OUTROS queriam que eu conhecesse.
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Amanda Roldan
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00:30
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