segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tchau, Mônica

Com plumas em volta do pescoço, Mônica descia as escadas cantando que "ser criança é bom, ser criança faz bem. E eu chorava. Ou chorei, não lembro mais se as lágrimas eram constantes. Mas era o fim do show, e mesmo que eu estivesse sempre lá, eu chorei.

Chorei do mesmo jeito que eu choraria se estivesse no Parque da Mônica na última terça-feira. Pois é, caro leitor. Esse texto é sobre o parque que viveu por 17 anos no Shopping Eldorado, e que fechou as portas neste carnaval.

O Parque da Mônica fez parte da minha vida e, de algum modo, eu também fiz parte da história dele.

Foi lá, por exemplo, que eu vi um filme em 3D pela primeira vez. E apesar de ficar assustada com aquelas cenas psicodélicas - especialmente com o gueopardo do final -, eu sempre assistia. Depois acabou, virou um cinema comum no qual passavam filmes da turma. Ficou menos assustador - e menos divertido.

Eu brincava no brinquedinho desejando ter tamanho para entrar no brinquedão. Depois, ia no brinquedão e ficava com saudade de andar no brinquedinho.

Certa vez, minha mãe resolveu tirar uma foto minha na saída da "Tumba do Penadinho". Isso porque eu tinha medo daquele brinquedo, mas queria monstrar para o meu pai que eu tinha entrado lá - quando, na verdade, eu nem ultrapassava aquela cortina de tiras pretas. Acho que ele não acreditou, ou eu não contei, ou os dois. Mas, no fim, eu entrei, e descobri que a "Tumba do Penadinho" não era assim tão assustador quanto eu imaginava.

Tinha também as casas do Louca e da Mônica, o carrinho de rolimã, o carrossel do Horácio, os computadores nos quais eu brincava depois do almoço.

Lembrei de tudo isso - e mais, muito mais - quando, na sexta-feira, me deparei com o parque escuro e vazio. Deve ter sido estranho ver uma marmanja de 20 anos chorando no meio do shopping. Mas não era ela que estava chorando, e sim a garotinha que sabia que "ser criança é bom, ser criança faz bem".

Um comentário:

gcmototurista disse...

Muitas lembranças que tenho desse parque. Deixa saudades.