segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Um passeio no zoológico

Foi assim, sem muito intenção que desse certo, que sugeri a ele uma ida ao zoológico.

Ele não foi o grande amor da minha vida, e não posso dizer se seria caso tivéssemos continuado juntos. Eu era uma estudante de jornalismo com uma carreira promissora à frente, ele era um graduado em economia que não quis ser economista um único dia de sua vida, mas tinha veia literária. Certa vez ele desandou a escrever. Dizia que eu era a inspiração dele e escrevia, e eu sempre perguntava quando viria o próximo texto, poucas coisas são tão sedutoras quanto palavras bem escritas.

Mas sobre a ida ao zoológico: ele riu e aceitou o programa. Ainda mal tínhamos saído, fomos ver um filme no cinema certa vez e eu me desmanchei de chorar com a história triste, uma tragédia. Mas sugeri o tal programa e ele resolveu que sim, vamos ao zoológico. E fomos, ele talvez curioso com aquele convite um tanto absurdo, eu animada para o passeio.

Eu parava tempo demais para ver a lontra e ele achava graça. Pulava de lá para os suricatas e ele me acompanhava. Contei para ele quando eu achava que tinha ornitorrinco por ali e como eu fiquei decepcionada quando descobri que não era verdade. Sentamos na lanchonete e eu roubei uma parte de suas batatas. Rimos com as crianças que pulavam pela varanda e nos escondemos juntos na sombra do guarda-sol.  Deitamos em um banco em frente à jaula da onça e nos questionamos se ela estaria chateada por não ter tanta atenção quanto a aranha que formava teia bem no meio das grades, porque a aranha era do tamanho da minha mão e não tinha como não ser notada.

É provável que em algum momento daquele dia eu tenha pensado que viveria o resto da vida ao lado dele. Assim mesmo, sem saber se ia amá-lo algum dia. Pode ter sido na saída, quando eu me debruçava novamente na grande da jaula da lontra e ele ria. Pode ser enquanto eu estava deitada naquele banco ao lado dele, olhando o céu enquanto segurava a mão dele e sentia o vento fresco da tarde no meu rosto.

Ou talvez não tenha nada a ver com o zoológico e fosse apenas a vaidade de saber que eu seria pro resto da vida a inspiração das palavras que ele escrevia.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Apenas uma prova

"Estão entregando o caderno de questões. Ok. Agora é hora de concentração. Concentração. Vou começar por história, geografia e termino por matemática. Espero que a prova de matemática esteja fácil, espero que a prova de matemática esteja fácil, espero que... HAHAHAHAHAHAHA MAS NUNCA EU VOU CONSEGUIR FAZER ESSAS QUESTÕES. Ok, se concentre. História e geografia estão traquilas. Vamos começar. Imagem, Portugal, Brasil. Certo. Em que ano a corte portuguesa veio pra cá? Nossa, Portugal. Eu podia passar o ano novo em Portugal. Não deve estar tão frio assim lá nessa época, né? Acho que vou passar o ano novo em um lugar mais quente. Será que a família me libera nesse período? Preciso ver isso. OK, FOCO. Prova, estamos fazendo uma prova. Vamos lá. Confederação do Equador. E eu lá me lembro que porra foi isso? Acho que vou desenhar uma casinha aqui enquanto penso. Poxa, eu podia ir pra Londres e Escócia de novo, né? Skyfall me deixou com vontade de voltar pra Escócia. Eu vou precisar de passagem barata. Viajar de ônibus, não de trem. Que droga, adoro viajar de trem. Mas vai ter que ser de ônibus. hostel. Eu podia ver esse negócio de couchsurfing. Minha mãe vai surtar. Será que menor de idade pode usar isso também? Eu podia indicar pra minha irmã. Que mais? Ah, sim. Custo com alimentação, com entradas das atrações e... AMANDA, E A PROVA? VOCÊ TÁ ESCREVENDO TUDO ISSO NA PROVA? Vamos, lá se concentra. Escreve as respostas porque você ainda precisa decidir o que vai fazer com a matemática. Será que a menina aqui do lado usou o compasso que ela trouxe? Acho que eu nem sei mais usar um compasso para resolver uma questão de geometria. RÁ RÁ! Eu nem sei RESOLVER uma questão de geometria. Deixa eu comer uma batata pra ajudar na concentração. Vou beber bastante água também para ir ao banheiro daqui a pouco. Não consigo mais ficar olhando pra essa prova."

domingo, 4 de janeiro de 2015

Resoluções

As idades com apenas um dígito não são tão frescas à memória. Ainda na primeira infância, o canil da avó no Rio. Os cachorros. A praia logo ali na frente. Os pés de cajus. Você devia adorar caju, porque anos mais tarde experimenta novamente e acha apenas meh. As lembranças começam a ficar um pouco mais claras a medida que o tempo passa. A escola. A professora que te alfabetizou. Ela foi pro Chile logo depois, e diversas vezes você pensou em digitar "Sônia professora Chile" no Google pra ver se a encontrava. Outro dia você cruzou com a Madalena, que ficava com você à tarde na escola. Você contou sobre o Gui, que você conheceu ainda na pré-escola e até hoje é seu grande amigo. Você se lembra do Parque da Mônica. Da mudança de escola. Da professora que gostaria de poder bater nos alunos com régua. Das aulas de religião. Mais uma escola. Os novos amigos, quem diria que você os levaria para o resto da vida? Alguns são bons amigos, outros você encontra uma vez por ano. Mas mesmo assim, são mais presentes do que todos os colegas de faculdade. O Gui também mudou para esse mesmo colégio, e vocês eram ditos como namoradinhos, só falta dar beijinho. Não teve beijinho e muitos não se conformam com isso até hoje. Superem.

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De repente você está em 2002. Nova escola. Você sente saudade dos amigos antigos, tem certeza que nunca mais os encontrará. Não foi uma mudança fácil. Mas logo você está jogando futebol com as meninas e tem certeza que elas ficarão na sua vida pra sempre.

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Você dá o primeiro beijo no Dia dos Namorados daquele ano tem certeza de que não é assim que a coisa funciona. Provavelmente você promete que nunca mais vai beijar nenhum outro menino.

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No final de 2003 você começa a namorar o amor da sua vida. Vocês começam em uma excursão da escola e na viagem de formatura a coisa fica séria. Vocês se encontram todo dia na escola, trocam juras de amor e aproveitam o término das aulas para dar uns amassos na escada de incêndio. O relacionamento dura três meses.

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Primeiro ano do ensino médio. Iupi,

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Seu ídolo morre um dia depois do seu aniversário de 15 anos. Você passa o dia atônita e só vai se acabar de chorar no dia seguinte, no meio de uma aula de física - pode ser que seja de matemática. Você chora muito e descore que esse negócio de correr de moto, seu sonho de infância, pode ser perigoso. Três meses depois outro grande piloto morre e você enterra de vez essa fantasia. Agora sua vida só tem espaço para ser jornalista.

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Você já escolheu sua profissão e  faculdade que vai cursar. Vai com desprezo para as aulas de Orientação Vocacional. Quer se dedicar 100% a esse sonho. Hoje em dia você não consideraria abrir mão dos amigos para isso. Mas você tinha 16 anos e expectativas muito altas que precisam ser atendidas.

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Aos 16 anos você também tem uma inflamação horrível no pé e vai parar no hospital. Ali você descobre que o pavor de agulha é mais uma fobia do que uma frescura de criança. Você vai fazer tratamento, o primeiro de muitos para tentar controlar isso. Descobre que provavelmente nunca estará curada, mas o pavor será menor. Em um futuro próximo, você estará sentada no sofá de casa e conseguirá falar com calma com a enfermeira. O processo será mais tranquilo e você vai saber pedir para ela esperar, porque você precisa respirar um pouco. Esse será um dos dias mais felizes da sua vida.

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De repente você está se formando e chorando com as amigas e prometendo que as levará pelo resto da vida. Na formatura passada isso não deu muito certo e você nem fala mais com sua BFF da época, mas agora é diferente. Você tem sorte. Oito anos depois, uma delas se casará e você estará lá para chorar com ela. A outra também estará por perto. Vocês dividirão almoços enquanto trabalham uma ao lado da outra e a família dela estará sempre de braços abertos para você.

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Você não passa no vestibular daquela faculdade e vai para o cursinho. Volte uma casa.

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O primeiro ano de faculdade. Você espera por esse ano há muito tempo. E ele realmente é incrível.. Nem tanto pela faculdade, mas a profissão jornalista te faz conhecer pessoas maravilhosas. É por elas que você, nos anos seguintes, tem certeza de que não deveria ter ido cursar letras. Pois é, você passou em letras em outra faculdade, e no futuro você se questionará várias vezes se não deveria ter feito esse curso. Mas você não tinha a bagagem que teria mais pra frente, e talvez nem tivesse se tudo não tivesse acontecido do jeito que aconteceu. Você aprende muito no seu primeiro estágio. Seus chefes, ah, que chefes maravilhosos! Eles te ajudam a crescer pessoal e profissionalmente. No final do ano, você tenta realizar seu sonho profissional e chega bem perto. A ironia é que alguns anos depois essa história cruzará novamente a sua vida e você vai desejar ter prestado mais atenção nas coisas que aconteceram naquela época (mas calma, está tudo bem!)

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Abril de 2009. Talvez aquele não seja exatamente o seu sonho de vida. Ou talvez você esteja em um inferno astral sem data para terminar.

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Um amigo te chama para cuidar de um projeto diferente. Você não tem certeza se aquilo é jornalismo, mas gota desse novo caminho profissional. Você ri no dia em que ficam confusos porque você se credencial em uma prova com uma conta de Twitter. Mas é sério. Tudo é sério. Você não sabe que caminho aquilo vai seguir, mas curte cada segundo. Infelizmente, tudo aquilo acaba um ano depois, tempo suficiente para te deixar com um grande ponto de interrogação na cabeça: e agora?

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Algumas pessoas te ajudam a enfrentar o final de 2011. Seu orientador do TCC, o melhor professor que você já teve na vida, te aprova com mérito. Não por causa do TCC. Sua dedicação a ele foi mínima, mas aquele cara decide que você vale a pena. E também teve aquele guri que te aguenta todos os dias. Que te mandava mensagens carinhosas no meio da noite e que, assim como você, vivia uma espécie de inferno astral interminável. Você leva tempo para se recuperar da ideia de perdê-lo, mas depois descobre que não tem nada que o tempo não cure.

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Você parte para Londres empregada. Volta de Dublin com trabalho. Cheers!

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Poucos anos foram tão difíceis quanto 2014. Você descobre que seu sonho profissional não é mais aquele e fica meio em dúvida sobre que caminho seguir. Você presta vestibular novamente. Você decide fazer intercâmbio. Você decide que o ano vem tudo vai ser diferente.

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Você está desempregada. De coração partido. Acaba de chegar da segunda fase da Fuvest e ainda tem mais dois dias de prova pela frente. Se pergunta por que decidiu fazer isso. Mas você conheceu pessoas incríveis no ano passado e elas tornam sua vida mais colorida. 2014 foi um ano de aprendizado. Você aprendeu que os sonhos mudam. Aprendeu a falar sobre os seus sentimentos. Aprendeu a se abrir. Entre outras coisas, também aprendeu que Pulp Fiction provavelmente é o seu novo filme preferido. E que Antes do Pôr-do-sol enche seu coração de alegria.Apendeu que poucas coisas na sua vida te dão mais prazer do que viajar. E aprendeu um pouco mais sobre essas poucas coisas, também (sobre a carinha). Aprendeu a ser deixada para trás - e reaprendeu que isso só reforça ainda mais os laços.

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Dois mil e quinze já tem dois  na lista de resoluções, e hoje ainda é dia quatro de janeiro. Bring it on!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Os primeiros shows sozinha a gente nunca esquece

Primeira Parte:

Eu dei uma sorte do caramba, é verdade. Tipo coisa do destino, mesmo. Já tinha definido a data das férias e o curso de inglês estava encaminhado. Eu passava dias entrando no site da TicketMaster e calculando distância, preço de hotel e passagem aérea de Nova Iorque para ir a um dos shows da Taylor Swift com o Ed Sheeran. Foi só depois de várias semanas que tive um lampejo: uma amiga minha, antiga companheira de rali, agora morava em Raleigh - e miss Swift tinha show na cidade exatamente enquanto eu estaria nos Estados Unidos. Feito.  

Contei aqui no blog que eu estava pronta para encarnar a Sheerio e dar gritos de felicidade quando Ed Sheeran entrasse no palco. Foi quase isso - embora a sensação tenha sido mais de "OMG, eu estou mesmo no show de um dos meus cantores favoritos \o/ não acredito não acredito não acreditooooo". Fui sozinha, o que me permitiu fazer quase que uma análise antropológica do ambiente: adolescentes gritando a cada frase que os cantores falavam, vestidas E-X-A-T-A-M-E-N-T-E como Taylor Swift (SÉRIO!) e munidas de cartazes feitos com luzes de VERDADES - o que classifiquei como nível expert de cartazes.

Contei com a boa vontade da amiga, marido da amiga e sogros da amiga, que me levaram e me buscaram na PNC Arena e me presentearam com um final de semana mágico na Carolina do Norte.



Segunda Parte:

Além de estudar inglês, um dos meus grandes objetivos em Nova Iorque era tentar assistir a show dos meus cantores preferidos - que, na época, consistiam em três: Damien Rice, Ed Sheeran e Jake Bugg. Afinal, em 2011 eu paguei 36 doletas para ver três horas de show do Elton John no MSG e estava mais do que disposta em repetir a dose.

(Para meu completo azar, pouco depois de eu emitir as passagens o Ed Sheeran anunciou três shows no MSG pra novembro. Ugh, se ele tivesse fechado um pouco antes...)

Minha estratégia era, basicamente, comprar tudo aqui e lá decidir como eu ia me virar. E, assim, adquiri um ingresso para ver Jake Bugg no famoso Webster Hall - quer dizer, o site deles falava que era famoso e eu acreditei, mas sei lá.


Eu sou uma pessoa que encara tranquilamente um belo passeio sozinha, mas esse mundo de baladas e eventos noturnos não é muito a minha praia nem quando eu estou bem acompanhada. E aconteceu que os ingressos já estavam esgotados quando minhas colegas de quarto foram tentar comprar, então eu teria que ir no maior estilo #foreveralone.

Minha primeira providência foi checar o Foursquare e, devo confessar, as dicas por lá eram bem desencorajadoras. Mas, porra, era o Jake Bugg, eu adoro o cara e nem sabia se ia ter a chance de vê-lo ao vivo alguma outra vez! Me joguei.

Fui de uma arena na Carolina do Norte com mais de dez mil adolescentes/seus pais e responsáveis uma casa de shows de tamanho médio no bairro boêmio de Nova Iorque. E as duas experiências valeram super a pena. Jake Bugg encanta tanto que dói o coração. Aquela voz única é cheia de uma emoção indescritível - e ele finalizou o show com uma música nova tão linda!
   
Viajar nos traz essas possibilidades únicas - no caso, de ver o cara que a gente ouve todos os dias, o dia todo, bem pertinho e sendo genial. Foi uma noite para não esquecer jamais. E todo aquele pavor de encarar o Webster Hall sozinha? Bom, só encontrei gente bacana que me dava espaço para assistir ao show e que, assim como eu, queriam mesmo é aproveitar o som daquele garoto.  

domingo, 18 de agosto de 2013

Sobre os mistérios dos sites mobile

Há cerca de um mês, os metrôs de São Paulo foram inundados por caixas gigantes de madeira que pulsavam como um coração. Em uma das vezes que passei por essas caixas, decidi scanear o QR Code impresso para ver do que se tratava.

(Sim. Uma das minhas atividades preferidas é scanear QR Codes para descobrir que segredo eles guardam)

Eis que o código me direcionou para um site, aparentemente uma campanha da Becel. Tudo lindo, não fosse um detalhe crucial: a leitura da página no celular era muito ruim. Eu precisava ampliar a tela e depois ficar rolando de um lado para o outro para conseguir ler as informações. Obviamente desisti alguns segundos depois. E fiquei me questionando: por que diabos uma pessoa pensaria em uma campanha claramente feita para celulares e não desenvolveria o site para mobile?

Frequentemente damos de cara com uma pesquisa sobre como as pessoas têm navegador cada vez mais em dispositivos móveis. É um fato. Não é raro vermos gente se divertindo com seus smartphones no metrô. E o que vejo do outro lado da tela são sites dando mole na tentativa de conquistar esse novo tipo de internauta.

Nem sei dizer quantas vezes isso já não aconteceu comigo: estou no Facebook ou Twitter, pula na minha frente um link interessante. Quando vou ver, o site não é responsivo e, na maioria das vezes, desencano da leitura. Em um mercado onde o tempo de navegação também é um dado importante para se por na conta, os caras acabaram de perder uma grande chance de me impactar positivamente.

E talvez esse cara tenha um app bacana e coisa e tal. E daí? No momento em que eu vejo alguma chamada para a notícia no meu celular, não estou interessada em mudar de aplicativo, correr a timeline e achar o que eu quero ler. Nos dispositivos móveis, quanto mais simples for o caminho que me leva ao seu site, melhor - contanto que eu consiga ler o que eu quero sem fazer milhões de malabarismos, é claro.  

Experiência pessoal: já faz quase um ano que tenho o app do Mashable. Sabe quantas vezes entrei? Umas cinco. Todas por acaso.

Hoje em dia, sou viciada no BuzzFeed. Já pensei em baixar o aplicativo dos caras, mas desisti. Pra quê? A chance dele se tornar mais um peso no meu celular é grande, e o site responde muito bem ao meu celular. Então posso simplesmente clicar no link e ler a informação que quero - e, talvez, depois navegar um pouco mais por lá. A experiência com eles no celular é confortável. Não tem dificuldade, não precisa ampliar ou rolar as telas pros lados. E eu posso simplesmente clicar no ícone ao pé da página e compartilhar a info com minha TL.

E quem ganha com isso? Eu, porque acessei a informação que queria; e eles, porque garantiram o meu clique e conseguiram me prender ao site - não importa em que dispositivo eu esteja. Ponto par ao BuzzFeed!

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A revolução foi tuitada (e será vinada)

A Primavera Árabe foi tuitada. Na Turquia, Vine e Youtube guardam registros das manifestações. As mídias sociais estão aí e devem ser usadas não só para Instagramarmos o que comemos no almoço.

A intenção aqui não é discutir se o que aconteceu em São Paulo foi certo ou errado. Está por fora? Então, resumindo: protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, polícia descendo o cacete, quebra-quebra. A história de sempre.

Mas não é isso que vamos discutir.

Enquanto tudo acontecia na Avenida Paulista, eu estava em casa, um celular com twitter na mão e nenhuma informação. Pensei em algumas hashtags óbvias - #OccupyPaulista, #OccupySP, confesso que esqueci o termo Primavera Paulistana -, pesquisei por Paulista. Pouca coisa. E nada de quem estava lá. Nenhuma foto, poucos relatos (só li um, na verdade). Acabei não procurando no Instagram, e o Vine  parece que ainda precisa comer muito feijão com arroz. Pensando na proporção da situação (pelo menos era o que a BandNews dava a entender no rádio, enquanto eu ainda estava a caminho de casa), poucos tuítes foram produzidos na minha TL - e olha que teria gente para tuitar. Pelo que entendi, algumas redes de televisão sobrevoavam a manifestação. Fim.

A Globo tem o ponto de vista dela. A Record, a Band, a Rede do Zé da Esquina. Todas vão enxergar as coisas de uma maneira diferente. É natural. Entre todas essas vozes, a das pessoas que estavam por lá se perde. Por que vocês não tuitaram, manifestantes? Por que não instagramaram? Vinaram? Tá certo que o 3G da Paulista não é lá essas coisas e o negócio tava pegando fogo, mas será que não tinha alguém lá que pudesse registrar? E onde estavam as pessoas para espalharem esse registro? Eu procurei e não achei. Ninguém melhor para explicar o que aconteceu do que quem estava lá. E tenho certeza de que teríamos vários pontos de vista que enriqueceriam uma possível discussão, fosse acerca da passagem, fosse acerca da violência dos manifestantes, fosse acerca do policiais. Tá certo que ainda me questiono se sabemos mesmo discutir racionalmente, mas podíamos, pelo menos, usar as ferramentas para testarmos.

As redes sociais nos deram uma voz imensa para publicarmos todo o tipo de abobrinha possível. Por que deixamos essa abobrinha passar? Não tinha importância? Ora, toda manifestação tem importância e merece atenção. Foi uma delícia quando, no ano passado, tuitei que não poderia participar da Marcha das Vadias (assim, sem hashtag) e alguém me respondeu que usando #marchadasvadias já era válido. Taí, unindo o on e off. Sem ativismo de sofá, mas também mostrando que as redes podem estar onde o protesto está.

Foi isso que mais senti falta hoje. Poder saber o que estava acontecendo de quem estava ali por perto. Ver vários pontos de vista. Levantar ideias. E não vi isso acontecer. Não vi o tal protesto chegar às redes e, como dizem por aí, gerar buzz. E gerar buzz nem é tão difícil assim, galera.

"A revolução não vai ser televisionada." E, pelo visto, nem tuitada ou vinada.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Reflexões pós-Boston sobre o fim do Twitter

Não se trata de uma análise profunda sobre o assunto "mídias sociais nos dias de hoje". Nem um apego sentimental. É uma constatação: o Twitter ainda é grande quando o assunto são grandes tragédias - e isso pode ser bom ou ruim, mas o The Guardian já fez um belo texto sobre o ~lado obscuro do Twitter~ nesses casos.

Mas a minha reflexão não é analisar se a tal "cobertura via Twitter" foi boa ou ruim, e sim pensar que ela existe - existe e é mais forte do que se pensa. Às veze as pessoas proclamam o fim do Twitter. A rede caiu de usuário, ninguém mais usa, o Facebook tá ganhando a batalha muahaha. Calma lá. Jack Dorsey foi bem claro - apesar de todo mundo pensar o contrário - ao dizer que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Facebook e Twitter são redes diferentes, usadas de formas diferentes e, muitas vezes, por pessoas diferentes.

Vamos concordar que a rede de microblogs, aliás, acabou fisgando um nicho específico - mais um nicho meio heterogêneo, se é que esse termo existe. Na real, não sei especificar exatamente que tipo de pessoa é, hoje em dia, usuária do Twitter. Mas, aparentemente, são essas pessoas que, em casos de grandes acontecimentos, vão ficar sabendo primeiro que alguma coisa estranha está acontecendo.

É algo do tipo "BREAKING NEWS: SOMETHING STRANGE IS HAPPENING IN BOSTON - COULD BE A BOMB". Pronto. Já é a hora em que você levanta e fala que alguma coisa explodiu em Boston. As pessoas te olham com estranheza e entram na home do Uol para confirmar a notícia. Mas antes que o portal brasileiro desse a info na home, a Reuters já montou uma página especial com um live tweeting da história. Quando todo mundo está mais ou menos ciente de que realmente houve duas explosões no final da Maratona de Boston, pessoas estão feridas e tá tudo um caos, alguém publica no Vine - que nada mais é do que a versão em vídeo do Twitter - o momento exato da explosão. O filminho circula pelo mundo mais rápido que o streaming da NBC.

Depois de tudo isso, pode ser que tudo realmente vire uma bagunça. Pessoas começaram a criar teorias malucas e o Twitter, de fato, se transforma em uma mesa de bar. Mas o ponto é que ele cumpriu seu dever. Alguém já tuitou direto da linha de chegada. Já postou fotos. O raso da história chegou antes por ali.

Não importa o quanto as pessoas matem o Twitter. Quando alguma coisa assim acontece, ele é a primeiríssima fonte de informação - e essa é, de fato, a principal utilidade dele. Você sabe que aconteceu alguma coisa, sabe onde, sabe mais ou menos o quê. As pessoas que estão espalhando as informações não farão as vezes de jornalista (ou farão, quando o twitteiro é, de fato, um jornalista), mas são cruciais na hora de espalhar a notícia pelo mundo. Um retuíte corre mais rápido que o link. É mais prático. Mais instantâneo.

Não estou fazendo um ranking de importância. Como eu disse, cada rede é uma rede - e quando se trata de viralizar um acontecimento como os atentados de Boston, é no Twitter que a coisa acontece.  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Meia-entrada e a banalização da corrupção

Sendo o Brasil essa potência em shows internacionais, uma discussão tornou-se recorrente por aqui: afinal, por que precisamos dar um rim se quisermos ir a um evento desses? Não é raro que o preço de um show comece na casa dos 150 reais, sem contas as tais taxas de serviço, o estacionamento, a cerveja cara, etc.

Mas essa só foi uma introduçãozinha para falar que uma das respostas mais constantes à pergunta acima é: meia-entrada. Sim, essa coisa linda que nos permite pagar apenas 150 reais em um ingresso cujo valor cheio é R$ 300, beijos, meia-entrada! É esse o grande problema dos show hiperinflacionados no Brasil? E a lei da oferta e da procura? E a nossa disposição para pagar esses valores absurdos? Será que também conta?

(E vocês vão ficar sem a resposta, já que esse não é o tema do texto. Rá! #Amandamá)

Procuro ir ao cinema pelo menos uma vez por semana. Objetivo que consigo mais ou menos cumprir, de acordo com a grana disponível. Minha ideia é sempre ir durante a semana, de preferência às quartas-feiras, quando o ingresso é mais barato o dia inteiro. Quando vou aos sábado, o preço é salgado: outro dia pagamos 50 reais em dois ingressos do Playarte do Center 3.

Me formei na faculdade e, no momento, não faço nenhum curso que me dê o direito de meia-entrada. Sendo assim, pago o preço inteiro quando quero ir a um cinema, teatro ou show. Porque sou uma pessoa incrível e mereço um prêmio pela minha boa índole? Não, mas fui ensinada desde cedo que, para lutar pelos meus direitos, preciso cumprir meus deveres. E não é meu dever ser uma cidadã correta? Então.

Só que, como bem explicou o colega Fagner Moraes, o certo, hoje em dia, é ser corrupto. A pessoa que não falsifica a meia-entrada é trouxa, o cara que tem o boleto falseta é ~esperto~. O cara que está no guichê do lado com uma carteirinha falsificada provavelmente me acha idiota quando eu peço uma entrada inteira.

O preço do cinema cairia se essa orgia de meia-entradas não existisse? Acho que esse não é o cerne da questão. O que precisa ser discutido é até quando o povo vai aceitar a corrupção do dia-a-dia e reclamar que estão roubando em Brasília? Até quando a pessoa que se acha esperta por falsificar uma carteirinha de estudante vai negar a corrupção até a morte?

Se queremos pagar o justo por uma entrada de cinema, de show, de teatro, precisamos lutar por esse direito, lógico. Mas essa luta não passa pelo barco da corrupção - e nem venham falar em ~jeitinho~, porque ~jeitinho~ é a corrupção travestida de boazinha.

Por ora, só nos resta engolir o preço absurdo que pagamos pelas coisas aqui no Brasil e sermos os trouxas que pagam o ingresso cheio. E os corruptos bradam contra a corrupção enquanto compram uma meia-entrada ~no esquema~ para o próximo Rock in Rio.

PS: no post do Fagner o Marcelo Soares fez um comentário excelente que reproduzo abaixo. para pensarmos da próxima vez em que comemorarmos a carteirinha de estudante válida por um ano para aquele curso de três meses.

Simples. Se você é contra, não use sua carteirinha de estudante. Em 2011, eu comecei a fazer pós-graduação e larguei no meio. A carteirinha valia até o final de 2012. Eu simplesmente não usava, porque sou contra o mau uso da carteirinha. Meu salário não é tão ruim que me impeça de ir ao cinema pagando dobrada (que por marketing é chamada de inteira), por menos que eu goste disso. Mas eu SEI que quanto mais gente pagar meia indevidamente, pior fica o preço pra trouxas como eu.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Sobre o conto de fadas de Ronaldo Fraga


Os ~fashionistas de plantão~ têm dessas coisas: nem sempre (ou quase sempre) analisam a repercussão de suas atitudes.

Não se trata do preconceito – ou o que alguns podem chamar de “mal gosto” – do desfile de Ronaldo Fraga e sua “homenagem” aos negros com cabelo de bombril (!!!!!), e sim sobre o que isso NÃO gerou no tal mundo da moda. Talvez o tema até tenha ecoado pelos corredores da bienal, mas não cruzou a barreira que poderia transformar os sites de moda em fóruns para se discutir o tema de maneira mais ampla.

Alguns noticiaram a tal ~homenagem~, outros passaram batidos pelas ridículas tiarinhas de palha de aço do estilista. Ninguém questionou sobre o que isso significava. No site da Vogue, leitores comentavam o quanto se sentiam ofendidos pelo desfile de Ronaldo Fraga. Não é uma bela deixa para se discutir sobre a imagem dos negros na moda, a valorização de sua cultura e raízes, a beleza dos cabelos cacheados e crespos? Mas não. Preferiu-se aplaudir o mineiro e seus bombris na cabeça.
  
Daí acharem que o mundo da moda é fútil e superficial. Ele mesmo gosta de reforçar essa ideia. Algumas vezes deixam escapar uma polêmica – como quando a modelo magérrima com distúrbios alimentares morreu e todo mundo passou a levantar a bandeira da “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”. Foi um movimento lindo, as marcas reprovando modelos com IMCs baixos, curvas sendo valorizadas e tudo o mais. Até o tema cair no esquecimento e começarem a achar incrível a tal dieta pré-desfile da Victoria’s Secret da Adriana Lima – que não era bem uma dieta, e sim uma greve de fome.

Não tem jeito. Enquanto os tais ~fashionistas de plantão~ não saírem das salas de desfile e começarem a prestar atenção na sociedade, eles sempre estarão presos a um mundo de contos de fadas.

terça-feira, 19 de março de 2013

Like a Sheerio

Uma série de confissões: eu tenho medo, pavor, desespero de adolescentes. Não todas, é verdade, mas daquela parte que grita, faz escândalo e tira fotos no espelho de banheiro público - coisas que, muito provavelmente, eu fiz, mas que a memória seletiva não me permite lembrar; eu fui ao show da Katy Perry - por livre e espontânea vontade, não porque minha irmã adolescente (uma adolescente bacana) me obrigou. True story.

Não tinha ligado as duas coisas quando paguei uma pequena fortuna no ingresso do show da moça de cabelo azul. Só depois, já no inferno-em-forma-de-show-de-cantora-pop-teen, me dei conta da loucura. Meninas gritando. Pulando. Uma delas deu uma cotovelada no meu peito. Horror.

Nesse dia eu jurei: nunca mais iria a um show de teenager. Like... ever. (como diria Taylor Swift, e aí você já começa a perceber que o juramento foi pro saco).

Nesse momento caberia uma digressão sobre Damien Rice, mas aí seria tanta paixão amor felicidade lágrimas coraçãozinho-com-a-mão e melosidade que vocês desistiriam logo desse texto - digo, aqueles que que não pararam de ler assim que citei Taylor Swift.

Pois o medo pode se transformar em salvação quando seu lado juvenil aflora com força. Por algum motivo totalmente incompreensível - seria o cabelo ruivo? O jeito, que só pode ser classificado como "fofo"? A idade? - um Damien Rice em miniatura conseguiu alcançar essa parcela da população que vai para a porta de hotel gritar chorar espernear. E, em uma reviravolta cruel do destino, também me encantou.

Deixe-me explicar, então, que Ed Sheeran me deixou tão obcecada que, mesmo diante da avalanche de adolescentes histéricas, comprei o ingresso para seu show feat Taylor Swift. Adolescência em dobro. Gritos em dobro. Horror em dobro - e aí surge uma luz: e se eu me juntar a elas? Gritar, espernear, fazer coraçãozinho com a mão?

Assistir a um show teen #foreveralone te abre esse leque de possibilidades. A possibilidade de, aos 23 anos, buscar lá no fundo da alma o lado adolescente e deixar rolar. Vestir a camisa (metaforicamente) do mocinho, ser Sheerio (a irmã que me ensinou), realmente surtar diante do show de um cantor que você curte pra caramba.

É essa a minha terceira confissão: já tenho data, hora e local para me permitir voltar à doce e assustadora histeria adolescente.        


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Dedicatória

Eu te dei um livro com uma dedicatória. Finalizava com um "com amor". Podia ter escrito, também, "com muito amor", "com todo amor do mundo" ou qualquer uma de suas variantes. Mas foi um simples e sincero "com amor", mesmo.

Eu não escrevo dedicatórias. Dou livros a rodo e nunca escrevo nada. Mas, pra você, eu escrevi. Uma mensagem boba e cheia de significado.

E hoje eu me pergunto se esse amor morreu em algum sebo da vida.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quando um MUSO se aposenta

"Adeus, adeus, adeus... palavra que faz chorar" - Noel Rosa

Alguns podem dizer que tanta comoção é exagerada, já que, tecnicamente, Loeb não deixará o WRC agora - inclusive tem chances de ser deca-campeão (???) ano que vem, mesmo correndo umas 4, 5 provas.

Mas fato é que 2012 marca o fim de uma era. Talvez não uma era com disputas acirradas e carros à Grupo B, mas uma era em que vimos a evolução de um verdadeiro gênio do rali.

Loeb brilhou não só no WRC. Mostrou valor também nas pistas, chamou a atenção de gente especializada em asfalto e já pode ser coroado com um dos melhores pilotos da história do automobilismo.

Para quem acha que Loeb só é muso desse blog por causa da beleza, charme e sedução, engana-se. Loeb é soberano. Bateu recorde atrás de recorde no Mundial de Rali, foi campeão mesmo tendo quebrado o braço antes de terminar a temporada, mostrou que quando se é Loeb, não precisa forçar para ficar acima da média.

Pode ser que seu tipo de pilotagem não agrade todo mundo. É compreensível. Já ouvi relatos de que a pilotagem dele é tão perfeita que começa a ficar sem graça depois de um tempo. A perfeição tem esse defeito: encanta, mas faz as coisas ficarem um pouco sem graça.

Mas mesmo que o WRC já não tenha ar de surpresas há anos por causa exatamente dele, não existe quem não lamente, pelo menos um pouco, a aposentadoria de um ídolo desses. A partir do ano que vem, uma nova história começa a ser escrita no campeonato. Melhor? Pior? Só o tempo vai dizer. Mas uma coisa eu sei: por muito tempo ainda sentiremos falta de algo, e esse algo responde pelo nome de Sebastien Loeb.

PS: Nenhum piloto consegue ser tão bem-sucedido sem um grande navegador. Daniel Elena merece boa parte dos louros desses nove campeonato. Afinal, para chegar até onde Loeb chegou, só com um gênio como Elena do lado.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O que uma fila com Mia Couto me ensinou

É engraçado como, às vezes, algumas coisas parecem fazer um sentido imenso, mesmo quando não fazem. Tipo ontem.

Peso absurdo nos ombros, pé ainda lesionado, aula de inglês rolando e eu lá na Cia. das Letras, no Conjunto Nacional, esperando por Mia Couto. Nem era a palestra, cheguei atrasada e tal. Era a tal sessão de autógrafos, mesmo, esse momento tão inútil em que esticamos um livro para um autor, ele assina, sorri, te devolve o livro pra você e fim. Assim, desprovido de emoção - pelo menos de uma das partes.

Embora eu não seja de pedir assinatura quando o escritor em questão não diz nada para mim. Tem lá o livro de Samantha Power, "with hope", também assinado por Carolina Larriera, viúva de Sergio Vieira de Melo. E tem o do Pedro Bandeira, para a "querida Amanda", e nesse querida vive uma intensa discussão sobre por que eu preciso acreditar no mundo - estou tentando, seu Pedro, estou tentando.

Mas voltemos ao Mia Couto, já que a história com ele também é longa.

"O último voo do Flamingo" - e voo em Moçambique já não tinha acento muito antes do novo código e blá -  fez parte da lista de livros da Cásper Líbero em 2007, ano em que, vejam só vocês!, também prestei vestibular. Não passei e roguei todas as pragas possíveis ao jornalista, mal aê, seu Cásper, não quis ofender.  Mas a lista de livros da Cásper é de tirar o chapéu. Livros e filmes, aliás. Coisa de quem quer uma análise mais aprofundada da arte de escrever, não só enfiar os clássicos guela abaixo. Naquele ano, além de Mia Couto, Manoel de Barros também fazia parte da lista. E Carandiru, se não me engano. Talvez Drummond, Machado de Assis, Guimarães Rosa e Chico Buarque. 

A Cásper me ensinou a ter mais amor pela língua portuguesa. Depois disso, li mais Chico, li Lygia, me apaixonei perdidamente por Quintana e Manoel de Barros. Porque, que me desculpem os amantes de José de Alencar, mas se dependesse de Iracema, nada disso teria acontecido. 

(Claro, muito do mérito também via à professora de literatura do cursinho, que me ensinou muito de preciosismo e comparava Manoel sempre a uma bala de coco.)

Então parece que, apesar da tragédia que foi não passar no vestibular da Cásper, sonho de adolescência, eu aprendi muito com toda essa experiência. E um dos professores que me ajudou a passar por essa jornada não foi outro que não Mia Couto. Talvez não pessoalmente, mas por meio de suas sábias e preciosas palavras.

PS: é engraçado como a gente absorve algumas coisas. Hoje, vejo um pouco de cada um dos autores que tanto admiro no jeito de escrever. E ainda tem gente que alega não gostar de ler.  Para eles, cito minha professora de literatura do Ensino Médio: não existe essa de não gostar de ler. Existe é que as pessoas ainda não encontraram o livro da sua vida. Beijos, Edna!

domingo, 4 de novembro de 2012

Virando gente grande

A gente às vezes tem aquele sonho de casar com um cara rico e não fazer nada - ou melhor, fazer as coisas que a gente quer, sei lá, viajar, viver de leitura, filmes, etc - ou, melhor ainda, ter nascido em berço de ouro - e repete a história de viajar, ler, etc. Enfim, qualquer coisa que signifique não trabalhar porém ser podre de rico.


Mas aconteceu uma coisa engraçada durante essa semana. Tipo uma epifania. Foi uma coisa simples, o ato de sair do escritório para almoçar, mas aquilo, naquele momento, me trouxe muito mais que isso.

Eu tava ali, indo para um almoço que eu pagaria do meu próprio bolso - porque eu tenho um salário. Para alguém que já está no mercado faz tempo, isso pode não parecer nada. Mas eu era universitária até o ano passado e, apesar de já ter trabalhado, não era uma coisa concreta. É como se, por ainda estar na faculdade, classe média, etc, etc, eu tivesse um ~aval~ para não me preocupar muito com o meu dinheiro.

Mas aí, de repente, eu virei gente grande. Tenho um emprego - um emprego do qual eu gosto muito -, tenho um salário e aprendi a administrá-lo. Outro dia li um texto que falava mais ou menos sobre isso, no caso, sobre finalmente conseguir o seu cantinho. Eu tenho esse sonho de ter o meu cantinho, minhas coisas, meus livros, meu zilhões de gatos e tal, mas, por enquanto, outros planos fazem com que eu também me sinta mais independente, mais responsável. Planos pequenos mas que, para mim, são um paso enorme. Como: a viagem do ano novo. Besteira? Pela primeira vez vou fazer tudo com o dinheirinhos que eu ganho por causa do meu trabalho. A tintura e corte do meu cabelo. O almoço da semana, as saídas no fim de semana, o cinema, os livros, as maquiagens. O bar. A poupança para poder viajar em 2013 e ainda sobrar um pouquinho para ajudar na pós-graduação ou no curso de extensão. Coisas simples - mais que uma casa, pelo menos! - mas que já dão um gostinho de "putz, eu conquistei isso! Vou passar o ano novo com os amigos por causa do MEU trabalho".

Então eu fico pensando que, embora fosse ser bacana ter nascido rica para poder viajar pelo Brasil e o mundo vááárias vezes ao ano - eu me sentiria a pessoa mais milionária caso pudesse fazer isso -, poder guardar algum dinheirinho pra poder pagar alguma viagem legal do meu próprio bolso me parece muito mais gratificante. E eu não trocaria esse momento da vida nem por todo o dinheiro do mundo.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um texto que não é só sobre cabelos

Dizem que uma grande mudança de vida vem acompanhada por uma grande mudança no visual, e vice-versa.

Nada disso passou pela cabeça quando eu resolvi entrar para o time das ruivas de farmácia, mas acabou que vida e cabelo se cruzaram e, sim, entrei para o ranking das "grandes-mudanças-na-vida-grandes-mudanças-no-cabelo".

É um desejo de criança. Achava o universo ruivo a coisa mais massa do mundo, venerava Lindsay Lohan (sim, é verdade) e sonhava com a cor 77 da Loreal todos os dias.

Foi assim que, lá pelo final de janeiro/começo de fevereiro - aliás, exatamente pelo final de janeiro/começo de fevereiro -resolvi pintar o cabelo.

Como são as coisas. A adesão à ruividez coincidiu com outro momento decisivo da vida. É daquelas horas em que a gente precisa se despedir, mesmo não querendo. Em que a distância faz-se necessária para evitar futuras dores - mas não evita, na verdade.

Já refleti longamente sobre isso por aqui. Mas não falei uma coisa: foi no dia em que fiquei ruiva que histórias de separação passaram a doer forte no peito. Qualquer uma. Do casal famoso que acabou o namoro à fulana que vai morar longe dos amigos. Fui viajar e a cada pessoa que eu me despedia nos meus 20 dias de mochilão, o peito doía cada vez mais. A cada lugar. A cada castelo. A cada paisagem. Uma lágrima chegou a cair quando me vi na King's Cross pronta para embarcar pra Edimburgo.

Foi quando fiquei ruiva que desaprendi ainda mais a me despedir. Cada tchau dói mais desde então. Assim como doem os nunca e os pra sempre, porque a gente acredita, mesmo sabendo que não é verdade.

Ao contrário do que eu esperava, passei a amar mais. Os amigos, a família, as viagens, a arte, a música, o trabalho. Porque, apesar da dor ser muito mais forte quando a gente se despede, a gente sabe que aproveitou cada momento - foi o Ale que me ensinou isso. A gente sabe que viveu.

As saudades apertam de vez em quando - e a essa altura do campeonato, já estou com os olhos cheios de lágrima, sorte que foi todo mundo almoçar fora. Mas aí eu olho pro espelho e percebo que preciso retocar o ruivo dos cabelos. E aí tudo volta a ficar bem.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Quando vi Elvis cantando

Um show de uma pessoa que já morreu é algo difícil de ser concebido. E de um morto há 35 anos, então, como proceder? Eu era uma das milhares de pessoas no Ginásio do Ibirapuera prontas para ver um dos quatro espetáculos de Elvis em São Paulo. "Elvis". Elvis já morreu, mas, ali, naquele palco, ontem à noite, parecia mais vivo do que nunca.

Mérito de sua banda, ou dos membros que sobraram. O tempo, afinal, passa para todos. Mas estavam lá alguns nomes fortes, como James Burton, The Imperials, Sweet Inspirations e o Steven Spielberg baterista - aka Robson Crusoé lá nos anos 70. Vou falar uma coisa para vocês: nunca um grupo de senhores me conquistou tanto quanto esse. Todos com uma energia de quem está fazendo algo por puro amor. Coisa linda de se ver. Saí de lá encantada por todos e triste porque, provavelmente, nunca mais tereia chance de vê-los em ação de novo.

Mérito da orquestra (OSESP?). Especialmente em An American Trilogy, uma das minhas músicas preferidas e que tem o instrumental mais foda que já vi. O flautista brasileiro não deixou nada a dever em seu solo, assim como a violinista em My Way. Tudo lindo, lindo, lindo.

Mérito da Elvis Enterprises e da 2Share, que produziram um show desses. O telão, o som, tudo faz crer que Elvis está ali, mesmo. A edição dos vídeos é surpreendente, com o cantor ~interagindo~ com a plateia o tempo todo. É um espetáculo.

Mérito, acima de tudo, de Elvis, que deixou um legado desses. Juntar gerações em torno de uma figura morta há 35 anos não é para qualquer um. Ninguém conseguiria explorar sua imagem tão bem se não houvesse nada para ser explorada. Minha mãe se emocionou com o show. Eu me emocionei. Minha irmã se emocionou. Foi uma coisa linda ver a plateia cantando Bridge Over Troubled Water, foi arrepiante ouvir Elvis cantando My Way ou os Imperials o acompanhando em How Great Thou Art.

Não importa o quanto eu escreva, nada vai descrever com exatidão o que foi a noite de segunda-feira naquele ginásio. O mais próximo que cheguei a isso foi, em um tweet, me localizar em uma ElvisWeek fora de época. Era amor, felicidade, emoção. Tudo junto para poder assistir a um verdadeiro espetáculo.

A única bola fora: o Uol decidiu divulgar um app convidando Cássio Reis para subir ao palco. Recebeu vaia, fiquei até com dó. Mas, que me perdoem as fãs dele, ninguém estava lá para ver o cara. Total #fail.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Rali, décimo ano

No final das contas, precisou de apenas um motivo para eu optar por fazer jornalismo: a vontade de ver o rali crescer, evoluir e conquistar cada vez mais espaço na imprensa. Do alto dos meus 12/13 anos de idade, eu queria mudar a mentalidade da imprensa esportiva e enfiar-lhes rali guela abaixo, embora meu sonho à época fosse escrever para uma revista ESPECIALIZADA no tema.


Cresci, evoluí, abracei o jornalismo, parti para um mundo novo da comunicação, hoje flerto cada vez mais com a publicidade. Trabalhei em site de automobilismo, escrevi matérias sobre rali mas, na realidade, nunca estive presente profissionalmente nesse esporte. Tentei, mas tudo tem seu tempo.

Mas, independente dos sonhos malucos daquela garota de 13 anos, o rali também cresceu. Em dez anos, vimos o Sertões, exemplo máximo do esporte no Brasil, assumir a responsabilidade como etapa do mundial do mundial de motos e, em seguida, do de carros. Recebeu estrelas de grandeza maior como Marc Coma, Cyril Després, Nasser Al-Attyah, Giniel De Villiers, Carlos Sainz (tks, Felipe!) para chegar em 2012, com a grande lenda Stephane Peterhansel integrando a lista de inscritos da prova. Nesses dez anos, o Sertões firmou-se como segundo maior rali do mundo, nada mal para um país que, sejamos francos, não tem a cultura do esporte correndo na veia.

Mais do que isso: ganhamos mídia e reconhecimento. De repente, aquele esporte que ouvia de emissoras "nós só falaremos do Dakar quando um brasileiro morrer" (na morte do francês Bruno Cauvy no começo dos anos 2000) passou a fazer parte da agenda da imprensa nacional, pelo menos nos meses de julho/agosto e dezembro/janeiro. É pouco? É. Mas já é muito, principalmente levando em conta que os campeonatos nacionais ainda não têm uma fundação bem resolvida. Hoje eu posso, não sem orgulho, fazer esteira enquanto vejo o Bom Dia, Brasil falando sobre o Sertões, colocando os nomes de pessoas caras a mim ali na telinha. Hoje eu posso receber uma mensagem de um amigo falando "Profissão Repórter na Globo: reportagem sobre o maior rally do mundo (sic) =)".

Ainda falta muito? Falta. Bastante. O tema rali ainda passa longe de vários jornalistas especializados em automobilismo, mas ganhou espaço. Um exemplo? Fernando Silva, do Grande Prêmio, é um grande entusiasta de rali e já deu as caras em duas edições do Sertões, com coberturas muito bacanas para um dos maiores sites de automobilismo do Brasil (inclusive com uma boa entrevista com o mito Peterhansel, assim que eu achar o link posto aqui).

Só me paira uma dúvida de vez em quando: o quanto a própria comunidade ralizeira quer isso? Algumas discussões nas últimas semanas me fizeram por em xeque essa vontade. Será que estamos prontos para correr atrás do profissionalismo necessário para crescermos ainda mais? Ou será que passaremos o resto da vida reclamando dos carros gringos que vêm correr o Sertões?

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Onze de setembro, onze anos depois

O dia 11 de setembro tem se tornado um dos maiores clichês do ano. É sempre a mesma coisa: onde você estava, com quem, fazendo o quê e, mais importante, como esse dia mudou o mundo. Pois hoje estava contando a velha história-sem-história (eu tinha dez anos, afinal, e ninguém ia sair contando uma coisa dessas em plena manhã de aula) e fiz, pela primeira vez, uma triste reflexão: esse foi o meu primeiro contato com essa realidade cruel do mundo.


De repente, tudo deixava de ser uma coisa cor-de-rosa para ganhar nuances de cinza. Alguém havia sequestrado dois aviões e jogado-os contra dois prédios lotados de gente. Era crueldade demais. E era real.

Depois disso, palavras como guerra e terrorismo tornaram-se comuns no dia-a-dia. Surgiu o tal do Bush que invadiu o Afeganistão atrás daquele tal de Bin Laden, que, diziam, era um dos responsáveis pelo plano pra tacar os aviões e por mais um monte de outras coisas ruins. Mas o tal Bin Laden tinha sido treinado dos EUA, era amiguinho deles em um passado não muito distante. O mundo era um lugar muito mais difícil, sujo e cruel do que eu imaginava. Até então, a ruindade do homem estava em jogar papel na rua, matar animais. Não tinha essa de matar dezenas, centenas, milhares de inocentes. Mas aconteceu. E continuou a acontecer, e continua a acontecer.

E o que ficou disso tudo? A tristeza por descobrir, hoje, que minha infância começou a acabar naquele onze de setembro.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Quando a gente acha que o abuso tem justificativa

Hoje, a Manu Barem colocou no twitter que (quase) foi abusada por um cara. Estava andando na rua, o ser a levou para um beco e abriu a camisa dela. Ela reagiu, gritou, bateu no cara e conseguiu escapar.

"Ser mulher é foda, triste, imensamente triste", escreveu ela no twitter. E é, mesmo. Por motivos como esse. Não só do abuso em si, mas que, depois de um evento desses, sempre surge a pergunta: mas com que roupa ela tava?

(e sei lá se já surgiu no caso da Manu, e, caso tenha surgido, já mando à merda a pessoa que ousa pergunta uma coisa dessas)

É como se a roupa fosse um convite. Como se, caso estivesse com uma mini-saia, o cara tivesse o DIREITO de abusar da mulher.

Não, não tem. Nem se a mulher estivesse nua ele teria. Mas todo mundo acha que tem. E isso é triste, muito triste.

Às vezes nem é um caso assim como o da Manu. É difícil encontrar uma mulher, por exemplo, que não tenha uma história de homem passando a mão nela dentro do ônibus. Eu tenho, e vou dizer uma coisa: a gente fica assustada depois. Mesmo que seja uma """"simples"""" passada de mão.

Nós não não somos um pedaço de carne, mas acham por aí que isso é mentira. Quem acha? As pessoas que justificam o estupro pela roupa, pela atitude, pelo caralho a quatro. Que dizem "depois é estuprada e não sabe por quê". Ou que, quando uma mulher reclama que passaram a mão na balada, bufam e falam (nesse caso, os homens): "vocês reclamam, mas a gente ia adorar mulher passando a mão na gente". Sim, já ouvi argumento do tipo. E achei nojento, porque não tem nada de legal em um cara apertar sua bunda só porque te achou gostosa.

A gente critica a burca, mas no ~mundo ocidental~ é mesmo tão diferente? Não precisamos andar cobertas, mas policiais aconselham a prática se não quisermos ser vítimas de estupro. Falamos a toda hora sobre fulaninha por andar com roupa curta, decote, calça justa como se isso fosse problema nosso. Não, não é. E também não é convite para estupro ou abuso.

(Aí a gente escreve isso e depois é chamada de feminista. Feminista por quê? Porque acha que é UM DIREITO nosso não ser estuprada, não ser abusada, não ter o braço quebrado na balada porque não quis beijar o cara?)

Por fim, Fernando Luna em um editorial GENIAL da Tpm de um ano atrás. E é isso que resume tudo: queremos respeito. Apenas isso.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Curadoria de links

(Porque o twitter é passageiro demais e floodar a TL dos outros no Facebook não é minha atividade preferida)


Estava andando por essa grande rede que vocês chamam de internet quando cruzei com alguns links interessantes. Nada mais justo do que dividir com vocês, essa meia dúzia de pessoas que acessa esse espaço!

The Last Meals Project - algum dia, o fotógrafo Jonathon Kambouris teve essa ideia genial de fotografar as últimas refeições dos presos que estão no corredor da morte lá nos EUÁ. Opiniões acerca da pena de morte à parte, vale a pena dar um pulo no site e conferir o trabalho do cara. Ele ainda mescla as obras com informações sobre essa ~prática~ meio... ahn... polêmica.

Ainda falando sobre a última refeição dos presos no corredor da morte, essa entrevista bacana da Trip e reproduzida pelo Marketing na Cozinha vale a pena ser lida. O personagem foi, durante mais de dez anos, responsável por cozinhar os pedidos dos condenados. Aliás, o Marketing na Cozinha como um todo merece ser visitado. São textos que vão além das panelas e fogões, como é o caso desse texto que fala sobre o preconceito em torno de pratos/restaurantes finos.

O Blog do Bérgamo é outro que merece entrar nos favoritos (inclusive será incluído à lista de links, se ela algum dia voltar a existir). Cada palavra dele vale ouro. E mesmo se não valesse, as fotos já são joias raras. Destaque para o post mais lindo que já vi na vida. Quer coisa mais delicada?

Outro que vai entrar na lista aqui do lado é o Memórias do Mar Preto. O blog de poemas do @cirohamen já faz parte dos sites que acesso diariamente - porque eu gosto de ler e reler e rereler as coisas, mesmo, principalmente quando os tais textos conseguem dizer tanto sobre coisa nos são tão caras.

Por último, mas não menos importante: os textos da Amelia (e agora do Dave, também) no Huffington Post. Para quem não sabe, um dos filhos dele (acho que tem sete anos de idade, carece de fontes, como diria a Wikipedia) declarou ser gay há algum tempo (famosa expressão para "não sei quando). Ali, eles relatam o dia-a-dia com a comunidade em que vivem, escola, amigos, etc, etc. Por que é tão bacana? Porque muitas pessoas vão falar "ah, ele é muito novo para assumir isso". Ué, então um guri falar que gosta de gurias também é estranho, não? Ele não é muito novo pra assumir isso?

Enfim, Amelia e Dave abordam exatamente temas como esse. Vale a pena a leitura, também, quer você concorde com a opinião deles ou não (embora eu não entenda como pessoas podem não concordar com a premissa básica de que qualquer um pode amar qualquer um e ponto)