quinta-feira, 28 de junho de 2012

Curadoria de links

(Porque o twitter é passageiro demais e floodar a TL dos outros no Facebook não é minha atividade preferida)


Estava andando por essa grande rede que vocês chamam de internet quando cruzei com alguns links interessantes. Nada mais justo do que dividir com vocês, essa meia dúzia de pessoas que acessa esse espaço!

The Last Meals Project - algum dia, o fotógrafo Jonathon Kambouris teve essa ideia genial de fotografar as últimas refeições dos presos que estão no corredor da morte lá nos EUÁ. Opiniões acerca da pena de morte à parte, vale a pena dar um pulo no site e conferir o trabalho do cara. Ele ainda mescla as obras com informações sobre essa ~prática~ meio... ahn... polêmica.

Ainda falando sobre a última refeição dos presos no corredor da morte, essa entrevista bacana da Trip e reproduzida pelo Marketing na Cozinha vale a pena ser lida. O personagem foi, durante mais de dez anos, responsável por cozinhar os pedidos dos condenados. Aliás, o Marketing na Cozinha como um todo merece ser visitado. São textos que vão além das panelas e fogões, como é o caso desse texto que fala sobre o preconceito em torno de pratos/restaurantes finos.

O Blog do Bérgamo é outro que merece entrar nos favoritos (inclusive será incluído à lista de links, se ela algum dia voltar a existir). Cada palavra dele vale ouro. E mesmo se não valesse, as fotos já são joias raras. Destaque para o post mais lindo que já vi na vida. Quer coisa mais delicada?

Outro que vai entrar na lista aqui do lado é o Memórias do Mar Preto. O blog de poemas do @cirohamen já faz parte dos sites que acesso diariamente - porque eu gosto de ler e reler e rereler as coisas, mesmo, principalmente quando os tais textos conseguem dizer tanto sobre coisa nos são tão caras.

Por último, mas não menos importante: os textos da Amelia (e agora do Dave, também) no Huffington Post. Para quem não sabe, um dos filhos dele (acho que tem sete anos de idade, carece de fontes, como diria a Wikipedia) declarou ser gay há algum tempo (famosa expressão para "não sei quando). Ali, eles relatam o dia-a-dia com a comunidade em que vivem, escola, amigos, etc, etc. Por que é tão bacana? Porque muitas pessoas vão falar "ah, ele é muito novo para assumir isso". Ué, então um guri falar que gosta de gurias também é estranho, não? Ele não é muito novo pra assumir isso?

Enfim, Amelia e Dave abordam exatamente temas como esse. Vale a pena a leitura, também, quer você concorde com a opinião deles ou não (embora eu não entenda como pessoas podem não concordar com a premissa básica de que qualquer um pode amar qualquer um e ponto)

domingo, 24 de junho de 2012

Lembranças sobre um mesmo tema

Ale,

os espasmos nos olhos passaram, mas a saudade não. A saudade fica, dói, corrói. Saudade é um bicho malvado.

Fico pensando se eu ia escrever pra você como (in) constantemente eu faço. Acho que não, Ou ia. Sei lá, é muito se pra pouca vida.

Tô cansando muito de mim mesma e todo esse "monotematiquísmo". Mas é bom, né? Porque assim a gente desapega alguma hora e tá livre outra vez. Livre pra que eu não sei, mas livre.

Mas por enquanto a gente só finge. Vai ao cinema, vai pro bar, vai sair por aí, vai. Mas não vai. Lá no fundo a gente fica pensando e pensando e pensando, e remoendo, e doendo.

E não é nem que vive só por viver, nada disso. É mais, mas também é menos. É menos que viver muito, mas mais que sobreviver. É complicado, só isso que eu sei.

Eu tenho ficado boa em pensar sobre a vida, melhor ainda do que eu era. Pensar sobre a distância. Sobre as despedidas e sobre a dor dela. Despedida dói, já te disse isso. Principalmente quando você se despede mas sabe tudo: pra onde ligar, pra indo ir.

É muito mais fácil escrever pra te contar essas coisas, Ale, do que pra outros tantos.

Acho que uma hora rola um basta e eu volto aqui pra falar de rali, de corrida, de cinema. Da vida, até, mas não assim. Porque tem vida que a gente fala e gosta, e tem vida que a gente fala e dói. E agora aina dói um pouquinho. Mas passa, acho. Só não tenho muita certeza.

Ufa.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Com a palavra, Ulysses Bertholdo

(Fim de semana passado teve o Rally de Erechim, o maior rally do Brasil. Maior no sentido de amor, de público, no sentido figurado mais denotativo que existe. Como todo ano, falei, falei, falei e não fui. Mas estava lá de coração. E nada me emociona mais do que ver Erechim sendo reconhecida por aí. Hoje recebi um e-mail e foi a coisa mais linda, as palavras mais lindas que alguém podia dizer sobre essa prova sensacional. Deixo vocês com as palavras do senhor Ulysses Bertholdo)


"Senhores,

fiquei pensando sobre o que falar de Erechim!
O melhor Rally da America?
Comparando-se aí com as provas de Cross Country que acontecem aqui no Brasil?
A melhor organização?
Estradas para a prática do esporte como em nenhum outro local?
Uma segurança onde nem se percebe que precisamos disso?
Um público nas SSs jamais visto em qualquer outra etapa de rally no Brasil?
Uma paixão pelo rally somente comparável com os Argentinos nas provas do WRC?
Onde mais poderíamos realizar uma prova de WRC no Brasil senão em Erechim?

Com certeza vai ter gente para falar que não vai ter hotel para todo mundo. Pode ser..... mas na Europa as etapasdo WRC tem até 400 km de deslocamentos antes de acontecer as SSs propriamente ditas. Que durmam em Porto Alegre! Lá vai ter hotel para todos, mas as estradas, a organização, o público apaixonado...... isso somente nas cidades da região de Erechim!

Falar em WRC entre São Paulo e Rio é a mesma coisa que dizer em fazer vatapá e acarajé no Pantanal, ou que se dança frevo no Rio Grande do Sul ou que a melhor pizza é feita no Acre [caso ele existisse n.b.] ou que o melhor carnaval acontece mesmo em Santa Catarina ou no Amazonas!

Percam mais alguns minutos e leiam abaixo o que os Argentinos falam sobre o Erechim.

E para Erechim, a única coisa que podemos dizer é: Parabéns ! nós, amantes do rally, só podemos agradecer por fazerem o melhor Rally da América !

Abraços,

Ulysses Bertholdo"

Aqui está a tal matéria dos argentinos, mencionada pelo Ulysses no texto:


Como eu sempre digo no twitter e/ou no Facebook e/ou no Instagram e/ou no Pinterest: <3

sábado, 10 de março de 2012

Paradoxo

Eu não sou contra filmes cheios de explosões e efeitos especiais. Pelo contrário, acho que cinema, além da arte, é entretenimento, e deve ser tratado como tal. E explosões e efeitos especiais fazem parte disso.

Mas, como em tudo na vida, existem limites. E esse limite se chama MICHAEL BAY.

Durante aquele tal PRÊMIO DA ACADEMIA - esse engodo maior do mundo -, a antítese de MICHAEL BAY venceu. Se existe um filme que é o avesso de Transformers, esse filme é O ARTISTA.

Mudo, preto e branco, sem efeitos especiais. A mais pura essência do cinema arte, o cinema moleque, o cinema toco y me voy.

Um filme que também podia ser chamado de CHUPA, MICHAEL BAY.


Inexistência de um enredo de verdade, uma gostosona e uma interpretação medíocre do ator principal _que é bom, falo sério, mas até isso Michael Bay conseguiu estragar. Praticamente um filme trash, mas sem a parte trash que caracteriza um filme trash _Obrigada, Spielberg! Ou seja: qual o sentido de Transformers?



Eu casava com Dujardin e ainda levava adotava o Uggie. Mesmo os dois não falando nada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Adele e o resto do mundo

A Adele fica de fossa. Ou entra numa fossa, algo assim. Enfim. O que importa é que Adele tá triste por causa de homem.

Eu também fico triste por causa de homem. Toda mulher fica tristes por causa de homem. Toda mulher odeia levar um pé na bunda. Ou não precisa ser um pé na bunda. Mas toda mulher chora, se descabela, come feito uma condenada - menos eu, que entro em dieta bem nessa época e acabo ficando mais chata e mal-humorada.

Adele também deve se descabelar, chorar, todas essas coisas. E aí ela resolve pegar aquela voz do caralho e fazer um bando de música de fossa, ficar rica, linda e maravilhosa, show pelo mundo inteiro, ganhar todos os Grammy do mundo.

E nós? Nós choramos e nos descabelamos enquanto ouvimos Adele.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Para viver com poesia

"Essas duas tresloucadas, a Saudade e a Esperança, vivem ambas na casa do Presente, quando deviam estar, é lógico, uma na casa do Passado e a outra na casa do Futuro. Quanto ao presente - ah! - esse nunca está em casa."

(um pouco de Mario Quintana para deixar a saudade mais poética)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os espasmos nos olhos

Oi, Ale,

é estranho escrever uma carta para você, uma pessoa que eu nem sequer conheci de verdade - quer dizer, uma verdade relativa, porque tudo é relativo. Veja bem, eu te conheci virtualmente, a gente trocou algumas palavras, acompanhava um ao outro nessa incrível rede que é o twitter. Incrível porque, assim como eu me apeguei à sua luta, vi muitas pessoas conhecendo muitas outras, formando laços de verdade, coisa bem bonita.

Eu te escrevo porque precisava de um motivo para falar sobre o nada e o tudo, e decidi que a gente sempre quer contas as coisas para as pessoas queridas. E você é querido, muito mais do que você imagina, acho.

Eu queria te contar sobre saudade, separações, amizades, essa coisa toda. Ontem fez dois meses da sua morte, e foi ela que me fez tomar algumas decisões na minha vida - porque a gente não sabe quanto tempo o tempo tem. Eu tenho esse minuto agora, esse segundo, mas não tenho o segundo seguinte. E é por isso que a gente precisa viver de verdade, para poder aproveitar cada segundo que a gente tem. A gente tem muita mania de deixar o tempo passar, achar que ele vai curar tudo. Mas às vezes ele não cura do jeito que a gente quer, e o que fica? Fica a dor por a gente ter deixado tudo nas mãos dele.

"A única coisa inevitável é a morte". Sei lá se ouvi isso em algum lugar ou se minha cabeça que criou essa frase, mas tenho pensado muito nela. A gente fica com aquela coisa depois da morte. Putz, por que eu não fiz isso com fulano? Por que eu não falei aquilo com beltrano? Por que eu não te conheci, Ale? Mas enquanto a gente ainda tem tempo, a gente pode. Pode tudo. Mas, principalmente, a gente pode não se afastar dos outros.

Eu não entendo muito essa necessidade que a gente tem de vez em quando de se afastar. O que resolve? É uma espécie de morte voluntária. Bam, você matou a pessoa na sua vida. Só que não. A pessoa continua viva, e aí eu tento entender por que a gente quer tanto que ela não esteja ao nosso lado.

Nesses dois meses eu tentei entender isso. E ainda tô tentando, mas não consigo. Mas também consigo.

Dói, sabe? Perder pessoas que continuam vivas acho que dói mais do que as que estão mortas. Quando elas tão mortas, não tem mais jeito. Mas vivas? Fica aquele gosto de fracasso, uma dor diferente, de saber e não saber. Às vezes a gente lida bem com isso, mas eu não sei jogar esse jogo, e sei menos ainda com o passar dos anos.

Parece que tudo era mais fugaz quando eu era criança. Eu conhecia o amiguinho na praia, na praça, na chuva, na fazenda e ele já virava meu melhor amigo do dia. Aí a gente ia embora e acabou.

Mas agora a despedida dos amigos dói mais. Às vezes se mescla com a infância já findada, como o amigo que foi morar na Itália e volta sei lá quando. Doeu ele ir embora. Mas teve também aquela que sumiu sem dizer nada e dava as caras de vez em quando, e agora a gente nem sabe mais quando vai se ver. Sempre fica a pergunta: por que esse sumiço? Por que esse abandono repentino? A gente devia se formar juntas e sei lá mais o quê. Mas não foi isso que aconteceu.

E teve o outro que rolou e não rolou, e aí ficou aquele clima estranho e a gente decidiu deixar o tempo passar. Mas como se faz isso? Esse tempo tem prazo de validade? Ou um dia a gente vai se encontrar nas ruas virtuais e ficar de bate-papo, e, bam, voltou a ter amizade?

Mas o que acontece nesse tempo? O que aconteceu no tempo em que eu e o amigo que foi pra Itália não nos falamos por absolutamente nenhum motivo? E o que vai acontecer nesse tempo em que eu e o outro amigo não trocarmos figurinhas?

É tudo muito indefinido, Ale. Você tava se recuperando, a gente botava fé. Eu tava até pensando em ir te visitar quando tudo se acalmasse, tinha um presente especial e tal. Mas o tempo não deixou. E o tempo não vai deixar uma série de coisas, porque ele acaba. É natural.

E se o tempo não tivesse deixado? E se o tempo não deixar? É isso que passa pela minha cabeça, Ale. É ter medo de ficar com um monte de se. E a gente fica, porque a vida é feita de escolhas e, invariavelmente, a gente vai se perguntar se o outro caminho era mais bacana. Mas tem se que dói mais, tem se que a gente sabe que devia ter sido diferente, devia ter dito mais flores, mais pássaros cantando e blá.

É isso que eu queria escrever pra você, Ale. Esse monte de se que dói na alma e que, na verdade, nunca chegou a tempo. Porque, como se sabe, o se sempre chega atrasado.

Com amor,

Amanda