Eu não tenho nada contra adaptações de livros para o cinema.
ABRE PARÊNTESIS
Ok, talvez isso seja só meia verdade. Ou 1/3 de verdade. Porque eu sou chata pra caramba quando se trata de roteiro adaptado, e minha chatice é dividida em duas categorias:
#1 - livros que eu li, o que significa que vou ficar o tempo todo comentando sobre como tal fato não era assim no livro e blá, ou ficarei roxa ao tentar guardar tais observações pra mim. O que importa é que nunca ficarei exatamente feliz com isso, com exceção de O Senhor dos Anéis, cujo filme conseguiu diminuir a chatice de Frodo em 3434%;
#2 - livros que eu não li, e aí a chatice acontece porque não são dois ou três filmes com roteiro adaptado. São dezenas deles que surgem a cada temporada, uma coisa incrível. Parece que já nem existe mais roteiro original, é tudo baseado em livro. Chega um momento em que isso irrita. Tirando, claro, os livros que já são escritos como um roteiro de cinema, com o propósito de ir parar nas telas o mais rápido possível.
FECHA PARÊNTESIS
Então eu tenho muita coisa contra adaptações de livro, mas ignoro e vou lá assistir aos filmes.
Aí você descobre que um filme como A Ilha do Medo, por exemplo, foi baseado em um livro. E já que você achou o filme bacana, com direção boa e atores legais, foi lá ver qual era a do livro. A decepção: o livro é ruim, tão ruim que você não conseguiu ler mais que algumas ṕáginas e desistiu de comprar.
Foi a descoberta de uma nova modalidade. Livros que você não sabia da existência e que foram alçados a possíveis bestsellers porque inspiraram um filme dirigido por, sei lá, Spielberg. Só que os livros, a despeito da qualidade dos filmes, não são lá muito bons.
A situação se inverte: se antes a gente lia os livros e ficava na dúvida se ia gostar do filme (#HarryPotter), agora nós achamos o filme bacana e ficamos com medo de ler o livro.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A equação inversa das adaptações
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Amanda Roldan
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18:06
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Eu e Reserva: um caso de amor
Assim como na música de Ângela Rô Rô, meu grande amor apareceu assim, bem de repente. Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente.
Foi em uma tarde de um dia de semana. Assistimos a Medianeras, que o povo fala que é filme de gente cult, porque todo filme fora do circuito de Hollywood é cult, mas eu e meu grande amor não nos importamos e gostamos de ver filmes cult, especialmente os franceses, já o meu grande amor foi adotado pelo povo que fala "quero dar pra você" de um jeito bonito.
Assim, sem hora marcada nem nada, meu grande amor me conquistou - e como se ainda duvidasse do amor que surgia, meu grande amor me ganhou definitivamente pelo estômago, ali na Pain de France.
Eu ainda me recuperava do grande choque que fora a morte de um outro grande amor, que - me desculpe, Ângela - durou muito menos que o tempo que mereceu. Foi embora assim, nem tão de repente, mas dolorido. Era um amor meio alternativo, e às vezes ficávamos noites adentro acordados. Mas acabou.
E veio ele e seus filmes franceses, seus quiches. De dia de semana ele assume um humor que me lembra excursão de velhinhas pela Europa; aos sábados e domingos ele quer festa, agitação, uma coisa mais moderninha.
Um grande amor que chegou assim, como as canções, como as paixões, as palavras.
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Amanda Roldan
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01:50
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sobre as nossas cidades
Quando fui pra Nova Iorque, no ano passado (enquanto o Pitacos estava em coma), sofri de um grande mal - que, no final, encarei como um grande bem: estudei o lugar minuciosamente e fui pra lá conhecendo praticamente cada esquina de Manhattan. Sabia tudo o que havia pra fazer ou deixar de fazer lá, já tinha ficado razoavelmente familiarizada com a linha de metrô e saí do Brasil já com uma ideia do que queria tirar de Nova Iorque.
Porque - deixe-me dar uma de filósofa nesse momento - cada cidade é diferente de acordo com a visão das pessoas. Se, por exemplo, eu quiser apresentar São Paulo para uma pessoa, estarei mostrando apenas a cidade que eu enxergo, o que pode agradar ou não o outro. É como tudo na vida: a gente tem o nosso ponto de vista das coisas. A São Paulo que eu amo não é, necessariamente, a que a minha mãe ama - e não, não é, mesmo.
E isso funciona com todos os lugares. Do mundo. A minha Rio de Janeiro é diferente da Rio de Janeiro da minha família, até dos meus amigos de lá. Assim como a minha Curitiba. E a minha Goiânia - que terá eternamente cheiro de poeira e barulho de carros de rali.
É por isso que eu evito ficar pegando sugestões antes de viajar. Do que adianta a pessoa querer que você compre um passe de dois dias pra visitar as principais atrações de Nova Iorque quando tudo o que você quer é andar pela cidade, observando pessoas e procurando coisas encantadoras para admirar em vez de ficar correndo e um lado pro outro pra conseguir ir no Met, no Financial District E no Empire State no mesmo dia?
Cada um sabe a cidade que quer conhecer. No meu caso, eu queria ser a pessoa que fica passeando sem rumo, meio perdida, ouvindo, vendo, sentindo cheiros - se eu tivesse um olfato apurado, coisa que não tenho. Andei pelo Central Park, vi o estudante de Julliard tocando violino, passei pelo prédio de Friends e me joguei no Village, entrei em todas as Sephora de Manhattan, peguei a balsa para Staten Island pra ver a Estátua da Liberdade, fui pra Columbia, tirei foto em frente à Tiffanys para homenagear Audrey Hepburn, fui na ONU e na parada de St. Patrick. Acima de tudo, conheci a Nova Iorque que EU queria conhecer, não a que OS OUTROS queriam que eu conhecesse.
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Amanda Roldan
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00:30
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Uma crônica sobre presunto
Eu tinha uma amiga que uma vez chegou com uma teoria sobre os porcos. Eu não lembro do blábláblá todo, mas tinha alguma coisa a ver com Atlântida e porcos serem mutações genéticas de seres humanos. Ou seres humanos serem mutações genéticas de porcos. Algo assim.
Essa amiga tinha um amigo que comprovou "cientificamente" o fato (sim, a história fica melhor). Ele "descobriu" que carne humana e carne de porco, vejam só!, têm o mesmo sabor! Óbvio que poderíamos passar horas formulando perguntas sobre isso, por exemplo: como ele concluiu isso? Ele é uma versão brasileira do Sweeney Todd? Amanda, por que você convive com essas pessoas?
Mas vamos focar nos porcos.
O que importa é que, depois de toda essa magnífica história, essa amiga terminou concluindo que presunto tinha um gosto ruim. Fim da história.
Passaram-se anos e anos e anos. Até que, alguns meses atrás, essa pessoa que vos escreve estava inocentemente cozinhando alguma coisa, fazendo um sanduíche, enfim, derramando seu inacreditável talento culinário na cozinha. A receita envolvia presunto. E eu, mais inocentemente ainda, peguei um fatia e pus na boca (#Nigellafeelings). Eis que uma sirene começa a tocar no meu cérebro: "presunto tem gosto ruim, presunto tem gosto ruim, presunto tem gosto ruim". E assim foi até que eu cuspisse toda a carne e ficasse ali, parada, pensando que, pela primeira vez, eu havia realmente sentido o gosto do presunto e, caramba!, aquilo era muito ruim.
E essa volta toda foi só pra falar que, desde então, quando eu abro a geladeira para fazer um sanduíche, eu pego o queijo e deixo o presunto de lado.
(Aqui está o único texto que achei sobre a tal teoria, um oferecimento do Deus Google)
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Amanda Roldan
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21:51
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sábado, 7 de janeiro de 2012
Resolução
Aí, como que por poder divino, a amiga cancela o almoço. Que bom. Porque, muitas vezes, a gente precisa resolver os nossos problemas antes de tentar ajudar os outros.
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Amanda Roldan
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09:34
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Colo
A amiga vem chamar no msn e pede pra sair amanhã, sábado, porque o namorado acabou com ela e ela está inconsolável. O dia está corrido, tem voo em Guarulhos pra pegar, mas a gente dá um jeitinho aqui, ali, acolá e, pronto!, arruma um tempinho pra almoçar com a amiga.
A amiga também faria isso por mim, caso a gente pedisse. Mas pedir ajuda é uma arte.
Eu não sei pedir ajuda. Nunca soube. Na oitava série, quando o namorado brigou comigo na viagem de formatura, saí pra chorar em um cantinho e as amigas ficaram desesperadas, e o namorado também, tanto que depois jurou me amar pelo resto da vida até o final do ano.
Também fui chorar escondida quando, no ensino médio, o ídolo morreu depois de um acidente em um rali. Ou quando eu gostava demais. Porque gostar demais dói muito, e a gente chora. Mas é pior quando a gente chora sozinha, escondida num cantinho. E eu sou assim.
Eu sou escolada em outra arte: a de sorrir, não importa o que aconteça. A de fingir que está tudo bem, obrigada, ele não estraçalhou meu coração, até faço piada com isso, não tá vendo? É o sorriso do Playmobil que, faça chuva, faça sol, está lá estampado no rosto.
E aí a amiga vem pedir ajuda e a gente vai lá oferecer o ombro, mesmo que esteja precisando de colo, de abraço, de carinho. Porque a gente não sabe pedir isso, a gente chora baixinho pra ninguém ouvir, sofre baixinho, dói baixinho.
E quando a gente não consegue sofrer baixinho a gente sente vergonha. Como quando abraçou o Zé no velório do Vicente e chorou todo o choro do mundo, até sentir a dor diminuir um pouco. Mas a gente não sabe chorar no colo dos outros, então a gente fica envergonhada porque o fez.
Mas algum dia a gente aprende que pedir colo de vez em quando não faz mal a ninguém.
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Amanda Roldan
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22:53
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
And the Oscar goes to...
Não, claro que eu não sei pra quem vai o Oscar. Não sei e nem tenho pitaco sobre um possível vencedor. Já vou esclarecer por quê.
Dos dez filmes indicados, assisti a sete. Choquem-se: um dos três filmes que eu não consegui ver foi "A Origem". Mas, por favor, não parem de ler o texto, às vezes as coisas não saem do jeito que queremos. Anyway...
Quanto aos outros sete, here it goes minhas impressões:
Toy Story 3: Faz tempo que vi, portanto aquela coisa de "Oh, meu Deus!!!" já passou um pouco. Mas, vamos combinar... é uma animação da Disney, é Toy Story e, mais do que isso, É O ÚLTIMO TOY STORY EVER! Eu chorei rios e rios e rios, afinal, foi o filme da minha infância! Mas vamos ser sinceros: no way um filme de animação vai ganhar de filmes de "carne e osso". Se eu tenho uma certeza nesse Oscar 2011 é a de que Toy Story não vai levar a estatueta de melhor filme. Também não boto minha mão no fogo na categoria "Melhor Animação". Oi, ele compete com "Como Treinar seu Dragão"! Confesso que não vi "O Mágico", então não posso omitir opiniões. Mas, sorry, Woody, sorry, Andy, não coloco a mão no fogo por vocês.
A Rede Social: Também já faz bastante tempo que vi o filme sobre a criação do Facebook, então o fator "Uau!" já passou. Mas, olhando pra trás, é um filme fodão. Jesse Eisenberg consegue passar a ideia de que o criador do FB era um nerd totalmente alheio a tudo que não fosse o próprio FB. Se ele é assim na vida real, isso eu já não sei. Mas o garoto está bom! E só eu achei que o Justin Timberlake está perfeito no papel do criador do Netscape? Porque, se for, eu realmente estou com sérios problemas. Mas não sei se leva alguma estatueta pra casa. (alô, Jesse compete com COLIN FIRTH e JAMES FRANCO!!)
Inverno da Alma: Grata Surpresa. Assisti ao filme por acaso. Estava no Noitão de janeiro e queria ver mesmo é "Amor e outras Drogas", mas aí alguns amigos estavam em outra sala, então... Mas, olha, flmaço. Jennifer Lawrence é uma rocha. Quer dizer, a personagem da Jennifer Lawrence é uma rocha, e ela consegue interpretá-la com maestria. Mas também não vai levar, embora mereça uma menção honrosa. (isso não existe no Oscar, mas e daí?). Ah, sim. É forte pacas. E muito dramático. Não vá assistir se você estiver de TPM, em depressão ou tiver acabado de terminar com o namorado.
Bravura Indômita: Era o que eu menos queria assistir. Western? Não me agrada, embora qualquer filme com o Matt Damon já mereça ser visto. Mas não é só o Matt Damon que faz o filme merecer um lugar na lista de "filmes vistos". Hailee Steinfeld, quem é você? Ela dá show. Além claro, da atuação sensacional de Jeff Bridges. Resumindo: um elenco forte. E é dirigido pelos irmãos Coen, né? A única ressalva é que o filme é roteiro adaptado. E eu estou cheia de roteiros adaptados. Cadê a criatividade? Também é forte. E meio deprimente. Também não vá assistir se você estiver nas situações acima.
Cisne Negro: Provavelmente, um dos filmes mais falados da temporada. Se você é homem, não se engane. Não é porque Natalie Portman faz cenas de sexo alone e com Mila Kunis que o filme é um pornô. Você nem vai se lembrar dessas cenas quando o filme acabar, acredite. Porque Cisne Negro é um retrato do lado mais nojento e feroz do balé. Natalie Portman está impecável, se ela não levar o Oscar eu vou chorar durante a semana inteira. Se vai ganhar como melhor filme? Existe um forte concorrente (que falarei a seguir). Se você vai assistir, prepare-se: eu saí meio desorientada do cinema. Digamos que você precisa ter estômago forte.
O Discurso do Rei: Ainda estou sob o "efeito Colin Firth". Se o filme só tivesse os primeiros cinco minutos iniciais, ele já mereceria o Oscar. Nunca vi alguém personificar a angústia tão bem! É um filme triste em partes, porque, na verdade, é uma história de superação (mesmo quando você acredita que não vai conseguir superar aquilo). Geoffrey Rush também está sensacional, e Helena Bonham Carter é séria concorrente ao Oscar de "melhor atriz coadjuvante".
127 Horas: Saí do filme há menos de duas horas, então tudo está fresco na memória. Que bom, porque me recuso a vê-lo de novo. Não me leve a mal, leitor, ele merece estar concorrendo ao Oscar. E James Franco, que atua praticamente sozinho, está sublime. É outro que conseguiu dar vida ao desespero, à angústia e, em certos momentos, à resignação. Mas o filme é forte. Fisicamente. Não é aquela coisa trash-cult do Tarantino, e também não é sangue de graça, como muitos filmes de ação. É só... muito, muito real, se vocês me entendem. Assista. Mas aproveite quase momento, pois não garanto que você vai conseguir assisti-lo de novo.
Mais um pitaco da
Amanda Roldan
às
18:04
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