segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ora, pois

É fato que inúmeras vezes cadastamos nosso e-mail em sites e afins e passamos a receber periodicamente newsletters e coisas desse tipo. Também é fato que, movidos pela preguiça, não nos "descadastramos" e continuamos com a rotina de recebe-apaga, sem nem olharmos do que se trata. Mas dessa vez tive que conferir.

O e-mail vinha assim: "A Honda antecipa a chegada do Pai Noel". Primeiro, nunca comprei um ou uma Honda. Segundo, Pai Noel? O bicho ficou formal desse jeito? Na minha época era Papai Noel, daquele jeito fofinho que só as crianças sabem falar.

Cliquei. Lá estava:

"Natal é quando a Honda quiser
Antecipe a chegada do Pai Noel:
até 30 de novembro, dê uma Honda a si próprio
Desde 99 euros/mês"

Fui conferir o endereço e confirmei o que suspeitava: o anúncio vinha de Portugal. Mais: vinha da Motorpress de lá, e associei a propaganda com as constantes mensagens sobre a última edição da Autoesporte.

É claro que tenho toda a intenção de falar com Francisco Inocencio para reservar um quadri para mim. Será que a DHL enterga?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Hazelnut

Eram nove da manhã. Parei na Paulista, entrei no Center 3 direto para a Starbucks e entrei na fila. Quando a atendente perguntou o que eu queria, discursei quase que mecanicamente o pedido de sempre: um café mocha tall com... com? A palavra se perdeu. Veio à minha cabeça a hazelnut. E de hazelnut lembrei-me de Manoel de Barros falando dos pássaros e da língua mãe, porque hazelnut não queria dizer nada para mim, era uma palavra sem essência e cor, apenas um sabor colocado em um café já sem muito gosto de café.

Mas logo descobri que hazelnut tinha, sim, um significado. Hazelnut me trazia à mente a viagem para Chicago, a manhã seguinte daquele longo dia, o dia da caminhada em volta do Chicagoland Speedway, do choro, da ligação pro Panda, sentada no chão da estação de Joliet, de mais choro ainda, dos soluços, da vontade de desistir, do apoio que recebi, e, mais calma, da ligação para o Fábio, dos esboços de risada, do embarque para Chicago, de mais um pouco de choro, da cabeça cheia, das perguntas que vinham à mente, da única semi-refeição do dia, do quarto vazio, da noite mal dormida.

E aquela manhã seguinte do despertador tocando cedíssimo, da cabeça ainda doendo, da calça jeans, da blusa de botão, da blusa de lã, da saída do hotel, do táxi pra a La Salle Street Station, da caminhada para a Starbucks, do Mocha tall with hazelnut, da Chicago deserta no domingo de manhã, só um cara de bicicleta na rua, do estômago revirado pelo medo e nervosismo, do vento na estação, a mulher avisando que eu podia entrar, do trem em que embarquei quatro vezes, todas elas sentada na parte de cima do vagão, do caminho para Joliet, das casinhas, das estações passando uma atrás da outra, da chegada ao autódromo, do e-mail do Panda e da Alê - acho que nunca agradeci por aquelas palavras que me deram tanta força.

Uma manhã em que ainda estava meio hesitante, meio insegura, uma insegurança que nunca tinha sentido antes. Na cabeça, só as palavras daqueles três, acho que não teria ido se não fossem eles, não teria visto Raphael Mattos sendo campeão, Antinucci secando os olhos pelo título perdido de tal forma, a corrida mais fantástica da minha vida, Dixon campeão, Hélio Castroneves em, provavelmente, uma de suas últimas corridas pela Penske - ou seria na Indy?

Teria deixado de lado a perda do ônibus para a estação, o táxi que demorou uma eternidade, tanto que as equipes já tinham ido embora quando consegui sair daquele autódromo no fim do mundo, mas o taxista estava feliz porque Scott Dixon tinha sido campeão, e me explicou que seu carro era número 9 e o pessoal da Ganassi tinha dado a ele um boné da equipe, disse que tinha vindo para o Brasil quando fazia parte das forças armadas, que visitou o Rio de Janeiro, minha cidade, e riu quando eu voltei porque tinha esquecido o bilhete do trem dentro do carro.

E, já no escuro, esperei o trem chegar, entrei, vi as sombras das casinhas e estações do caminho de Joliet para Chicago, e senti por não poder voltar para aquele lugar. Meu coração já começava a sentir saudades daqueles dias, e no lugar do choro da noite anterior, sorri. Sorri e agradeci por todo o apoio que tive de tanta gente nesses anos, dos treze aos dezenove dá seis, então já são seis anos que amo o jornalismo, e nesses seis anos pude contar com pessoas como o Fábio, o Panda, a Alê, o Betto, o Denis, o Ric - listas são ingratas, sempre esquecemos alguém, mas sei que as pessoas sabem a importância que tiveram na minha vida.

Voltei, dormi (mal) e acordei para uma Chicago chuvosa. Percebi que poderia ter domingos como aquele o resto da semana, podia pegar novamente aquele trem para Joliet, partir para o Chicagoland Speedway, ver aquela corrida de novo e de novo, e pegar o taxista #9, o trem, Chicago, tudo.

Acordei para a manhã fria de São Paulo, a hazelnut na cabeça. Hazelnut tinha essência, tinha aquela manhã seguinte, aquele dia anterior, aquele fim de semana, tudo aquilo que, de tempos em tempos, passa pela minha cabeça como se fosse um filme, e eu assisto e assisto àquele filme sem me cansar, querendo ver as cenas nos seus mais íntimos detalhes.

Foi por tudo isso que, por uma fração de segundo, esqueci a avelã. Ela não tinha todo o significado de hazelnut.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Akinator

Descobri o site por culpa de Victor Martins. Fui burra o suficiente para clicar no link colocado no blog Victal e descobri o incrível mundo de Akinator. Confesso, não estava lá com muita criatividade para personalidades. Cravei um Sebastien Loeb e o bichinho acertou. Normal.

Pois hoje estou na faculdade quando chega um colega e diz: a gente tem que entrar nesse site! O gênio adivinha tudo!

Na hora perguntei se era o Akinator. Respondeu que sim.

Entramos, e então descobri aquilo que todos comentavam. Bongô. O tal gênio acertou o Bongô, personagem clássico do mais clássico ainda Castelo Rá-Tim-Bum.

Chega a dar medo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vida que segue...

Uma semana sem dar sinal de vida nesse espaço. Não estaria mentindo se falasse que é a falta de tempo, mas também não seria toda a verdade.

Foi o mau-humor que grudou em mim lá no começo do mês e me acompanhou até segunda ordem - saí distribuindo patada, não sei como certas pessoas me agüentaram. A elas, mil desculpas, novamente.

Mas não deixou de ter momentos gostosos: como a festa, na terça-feira, que reuniu uma galera divertida. A premiação, como sempre, foi indo, indo, indo, até a hora em que toda a família Massa estava no palco e eu resolvi me trancar no banheiro. Mas que também teve - ou melhor, não teve - Hélio Castroneves, vencedor em sua categoria e que não pôde comparecer pelos pequenos problemas envolvendo o fisco estadunidense. E que contou com a presença do ilustre João Gabriel, menininho de oito anos que não dormiu até vero piloto da Ferrari. E o ponto alto, o encontro com Marcos Torkaski, parceiro virtual em bolões e fóruns da vida. Que de vez em quando acessa esse espaço, e pra ele deixo um beijão!

Ou como o dia seguinte, segunda fase do GE, na qual, devo salientar, não fui bêbada - ah, não, mas a pergunta era o depois da festa, né, Martins? Tarde que me deixou com uma certeza: nunca mais esquecerei o primeiro nome de Nakajima (KAZUKI!!!)

Ou, pra ir mais longe no tempo, o encontro com Denis de Almeida, há uns dez dias, jornalista de quem já falei algumas vezes e que é um dos responsáveis por eu ter escolhido essa profissão. Que faz com que eu sinta aquela saudadezinha boa da época da Universo Rally, quando falava com ele, com Ric, com Stefan ou seja lá quem estivesse naquela editora, e que ficava ouvindo os planos para o futuro com toda a paciência que merece uma menina de 13 anos.

A gente vive imaginando o futuro e, quando ele chega, fica nessa nostalgia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mcgayver explica

O café já estava prontinho, me preparava para tomá-lo quando comecei a ouvir aquele barulho de água, vindo do banheiro.

Especializada em assuntos hidráulicos, fui checar o que estava acontecendo. Levantei a tampa e fiquei olhando. A água não parava de jorrar. Tá, não jorrar como um chafariz; ela vinha na proporção certa para uma descarga, só que constantemente, tão entendendo? Eu disse que era especializada em assuntos hidráulicos - bem como seus jargões. Caramba, o negócio estava vazando, pronto!

Puxei uma válvula, nada. Tentei mexer no parafuso, nada. Aí vi a bomba e puxei-a para cima. A água parou. Soltei, voltou. Puxei, parou. Soltei, voltou.

Fiquei segurando aquele negócio, imaginando o que faria. Lembrei da sacola do Pão de Açúcar em cima da mesa - tive que passar no mercado para comprar as carolinas da Alê, fruto de uma aposta perdida... humpf...

Prguei a sacola, fiz uma "lingüicinha" e puxei a haste da bomba. Depois, prendi o plástico com a tampa da privada.

Não sei como vou usar o negócio, mas que a água parou, parou.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vambora votar, galera!

O Gabriel Pandini está fazendo uma enquete excelente em seu blog, o Saco de Batatas. Eu já votei! Dá uma passadinha lá, vai!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Habemus Obama

"Os estadunidenses estão sempre tentando fazer a coisa certa, após terem tentado todas as outras alternativas" Winston Churchill

Em uma das noites em Memphis, fomos a um barzinho assistir a um cover do Elvis. Cantamos, rimos, nos divertimos a beça. Mais para o finalzinho, o cara começou a falar a falar da época em que o Presley estava no exército. "Eu tenho orgulho dos militares", disse Joe - tenho quase certeza que era esse o nome do cara.

"Ah, não", pensei.

"Me orgulho desses homens e mulheres que partem para o deserto em busca da democracia e liberdade!"

WTF?

E aí, depois de todo esse ode aos militares no Iraque, veio "An American Trilogy". Adorava - como adoro até hoje - o instrumental da música, bem como a emoção com que Elvis a canta. Mas, confesso, nunca tinha parado para entender o real significado da música.

Aposto: fui procurar na Wikipedia. Me diz o site que a canção é um medley de três músicas - isso acho que não é difícil saber: duas delas têm relações com a guerra civil estadunidense.

Quando o cara começou, a "estadunidensenada" inteira levantou e botou a mão no peito. Os caras ficavam olhando feio para nós, irlandeses, brasileiros e australianos, que permanecemos sentados durante a música inteira.

Já no finalzinho, veio uma luz vermelha e azul, a bandeira dos EUA atrás do palco e os aplausos entusiasmados da galera. Chocante.

Isso me fez lembrar de uma coisa que Fernando Canzian, repórter especial da Folha de São Paulo, disse certa vez: as pessoas não conhecem a cabeça dos estadunidenses. Fala-se nos grandes centros, mas ninguém pensa em cidades mais "de interior". Memphis não é uma cidade interiorana, mas tem a aparência de tal quando comparada com Chicago, por exemplo.

Naquela hora, minha confiança em Barack Obama titubeou. Será que ele ganharia mesmo? Ou Canzian estava certo ao - infelizmente - apostar em John McCain?

A quarta-feira acordou mais leve. Um aroma de mudança estava no ar. Obama estava eleito. O mundo inteiro começou a sinalizar sua satisfação pela eleição.

Foi lindo.

Habemus Obama.